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Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

domingo, março 22

fim de tarde...



Este fim de dia...
De um momento para outro quase sem notar, este branco de uma cerejeira de estimação. Delicio-me com estes cachos de deliciosas flores, calculo pela afluência de abelhas.
Cerejas? Vermelhas ainda não totalmente maduras...dizem os pássaros serem boas, em outros anos. Acredito!
Mas mesmo assim, esta palete dá-me sustento anímico, tranquiliza-me.
Ao longe, sinto-me observado. Condescendente em fim de dia, abandona-se no horizonte, em amarelo primavera!

quarta-feira, março 4

sem horas, para quê o tempo?

Acabo de regressar a casa!
Três horas, duas sessões de puro gozo e magia!
Novo destabilizar de consciências de quem tem poder, a sedução de quem sempre desejou e nunca pensou ter oportunidade!
Arranquei com mais uma "escolinha de info-excluídos".
As espectativas foram excedidas, as inscrições...trinta e quatro! E há mais, cada vez mais em lista de espera!
Sinto-me bem!
Pessoas! Pessoas de trabalho árduo, de mão gretada em afectos das terras, escurecidas em óleos de tractores cansados! E que bem estão de castanhos vários, penteadas de sulcos umas,outras afagadas, verdes tenros que brotam e espreitam em busca da primavera.
Hoje, de início mais olhares que palavras , desconfianças que se diluem no rio dos afectos!
Amanhã há mais!
Felizmente!

terça-feira, fevereiro 10

falando de...VIDA

Apetece-me falar da Vida, o todo – nascimento, vivência, morte!
Hoje começo, pelo fim, ou melhor pela última parte da Vida.
Tinha dezasseis anos quando em coma entrei no Hospital, numa sexta feira. Uma nefrite empurrara todos os valores possíveis e não desejáveis para os máximos e o resultado foi aqueles 48 dias de internamento. Boa experiência, boa recordações! Como é possível? Um dia pormenorizo!
Já era residente daquele hotel havia uns vinte dias, quando para a cama ao lado entrou um homem, talvez entre os cinquenta e os sessenta. Entrou, não, colocaram-no!
Não falava, não comia, nem forças tinha para se queixar. Um cancro roía-lhe silenciosamente a garganta.
Diariamente as equipas de enfermagem rodeavam-lhe a cabeceira, trocavam os boiões de soro, sempre num silêncio diria que senão respeitoso, misericordioso.
Na mesa de cabeceira, um copo de água e uma espátula envolta em gaze. Com suavidade via-os mergulharem a espátula e embebida passarem nos lábios do homem. Era o único “gosto”, sabor que tinha.
Um dia, olhando para o meu companheiro, lábios sequiosos,secos, peles soltas, levantei-me e, como vira tantas vezes fazer, mergulhei a espátula e misto de receio e entrega, toquei-lhe ao de leve humedecendo-lhe a boca.
Os olhos. Nunca os tinha visto tão perto, tão nítidos. Encovados, doridos, cansados, transmitiram-me gratidão, Paz.
Morreu poucos minutos depois! Foi a minha primeira apresentação ao vivo, à morte!
Durante algumas horas permaneceu isolado por um biombo colocado à volta da cama. Era como se quisessem passar a imagem que ali não estava. Não se via, não estava!
Ainda permaneci muitos dias naquela enfermaria. A outra cama foi reocupada.
Em memória aquele olhar, o sentimento expresso sem palavras. Recordo-o, em PAZ


domingo, fevereiro 1

justificação...talvez!

...rendo-me, contudo à eloquência do Padre António Vieira, “não porque que...nem para que... mas porque sim”.


O Amor fino não há-de ter porquê nem para quê.

Se amo porque me amam é obrigação, faço o que devo.

Se amo para que me amem é negociação, busco o que desejo.

Pois como há-de o Amor amar para ser fino?

Amo porque amo, e amo para Amar“.



quinta-feira, janeiro 29

voos!!!


E vem o tempo!
Tempo de mudanças, das asas dos filhos, do voar consistente em busca de novos caminhos, próprios.
Há dias, do meu ninho, voou convicto, mais um elemento.
Sentimento de orgulho os nossos, pais em sintonia com a cria!
Sentimento de tristeza de quem parte, de quem fica, num acre-doce de satisfação ao encontro de novos desafios. Afinal é alcançar o patamar do objectivo de qualquer progenitor, a autonomia, a auto-suficiência!
É crescer. Para nós, pais, para ele filho!
Nunca senti afinidade com o termo de posse. Nunca o Ter me seduziu, nem mesmo com os filhos.
Ninguém deve ter ninguém!
SOMOS, pais SÃO filhos.
Faz-me confusão, porque não entendo, quando vejo pais apregoando a relação com os filhos na base da amizade. Faz-me confusão porque em meu entender, e não sou douto na matéria mas penso e sinto, ser-se Pai ou Filho é alcançar-se um estatuto só por si definido. Não precisa de atributos terceiros.
Não preocupar será o termo correcto. Acompanho.
Preocupar-me é limitar a análise, a capacidade de resposta nas vivências nunca apercebidas com verdade, às vezes imiscuir-me em áreas privadas. Acompanho.
Acompanhar, é sentir-me autorizado, é o respeito pela identidade mesmo que mais familiar e próxima seja o acompanhante.
Acompanhar é desfrutar os momentos, bons ou maus em partilha tacitamente aceite.
Um novo percurso, ou talvez não, uma outra forma de abordar o caminho com outra perspectiva, de outro ângulo!

quarta-feira, janeiro 7

divagando


Ontem, por força das circunstâncias viajei de comboio, na linha de Sintra. Não fazia há muito tempo!

Os ponteiros do dia empurram as pessoas carruagem dentro, regresso a casa, transportando com elas um misto de cansaço, apatia. Pressa pelo tempo de paragem, pressa pela conquista de lugar sentado, pressa para fugir à baixa temperatura que permanecia no apeadeiro sem encontrar o comboio de retorno.

Filtrando o olhar, o meu e o dos outros, os meus óculos escuros observavam e abriam caminhos para as minhas divagações.

Em cima dos poucos bancos vagos, panfletos apelativos de um produto qualquer, propositadamente deixados, eram afastados na sua agressão de uma forma mecânica, e davam lugar a corpos cansados de mais uma jornada, corpos com rosto quase inexpressivo, olhos vagos, ausentes uns, fechados outros, e ainda outros desfiando as letras de um qualquer gratuito apanhado à entrada da estação.

Alguma gente nova quase sempre aos pares fazia a diferença, no movimentar-se, na cumplicidade estabelecida com naturalidade com os seus companheiros, nas expressões e risos quase profanos naquele ambiente solene da viagem entre muitos, em solidão. Às costas, algumas mochilas proporcionais ao peso e preocupação da vida.

A diferença que senti é que eu viajava de comboio, aquelas pessoas apanhavam o comboio, todos os dias, fazia parte da sua rotina !

Olhei, observei rostos, inventei histórias, criei personagens, caí na tentação dos preconceitos!

Naquela carruagem, alguém me viu?

Duvido. Ali, nestas circunstâncias, não há mais ninguém!

PS. Faz-se a apologia dos transportes públicos em detrimento dos privados! De Queluz a Algueirão paguei 1,20€. Tive que esperar o comboio, tive que andar da estação até ao ponto de chegada, o mesmo de regresso, e não chovia...

De carro, pelo menos no meu, faria três vezes o mesmo percurso com o preço dos bilhetes.

Transportes públicos caros ainda por cima suportados por quem menos pode, acho eu!

domingo, janeiro 4

" 2 0 0 9" B A P

E pronto, eis-nos em 2009!
Não sei se o alcançámos ou ele a nós! Questão secundária!
A chegada ou entrada de novo ano traz-nos sempre propósitos, previsões e juras.
Em meu pouco saber, estes três elementos situam-se todos na mesma área, a ficção ou melhor, o departamento do nosso não envolvimento. Rituais, tal como as passas!
Numa época em que somos bombardeados por rentabilidades e “spreads”, em mais valias e benefícios, marginalmente e contrariando as correntes, aconselho o investimento no BAP.
É uma instituição ancestral com rendimento garantido e satisfação plena.
Tão absorvente, tão exigente, tão possível a pequenos investidores, o depósito tem conseguido ser sempre benéfico ao longo das catástrofes de mercado, para além dos interesses irracionais, das políticas de novos aprendizes de alquimistas.
BAP – Banco dos Afectos e Partilha!
Somos muitos, orgulhosa e corajosamente seremos mais!
Garantidamente com Afecto, seguramente em Partilha, um investimento pleno em 2009!
Fontes do mercado afirmam não haver concorrência!


segunda-feira, dezembro 29

massacres!



E chegamos ao intervalo...Dizem as operadoras que aumentou o tráfego!
Claro que estou a referir-me àquele fluxo de movimento entre operadoras de telemóveis que pomposamente apelidam de mensagens de Natal!
Uma mensagem, deve ter um emissor, um meio, um receptor e se não tiver conteúdo não é inteligível.
  1. Emissor: Será que emana algum cunho pessoal deste tipo de operação?
  2. Meio: Sim, cumpre em pleno, enche os cofres.
  3. Receptor: Ah, pois é fulano!
  4. Conteúdo:?????bla,bla,bla
Alguém em seu juízo entende como mensagem de Natal o bla, bla,bla do José Sócrates, na Televisão? É um faz de conta, tal como milhares de toques em telemóveis. Rituais...
Este ano recebi uma dessas, descaracterizada, impessoal, enviada em série num percurso de lista telefónica, em memória!
Claro que a pessoa em questão não era uma qualquer, tenho-a como próximo, o que me levou de imediato a telefonar, e de viva voz manifestar a frieza de tal pseudo mensagem, e o quão despersonalizada era esta cadeia. Acho que após esgrimir meus argumentos, entendeu!
Espera-se que alguém nos apresente a mudança de procedimentos, estamos sempre à espera que façam qualquer coisa por nós. É tempo de convencimento, de auto-convencimento. Paremos com estas manifestações irracionais, não tenhamos medos de manifestar os nossos afectos, únicos, pessoais, atentos às pessoas, blindemo-nos a estas manipulações destituídas de entrega!
Eu já iniciei a minha campanha ANTI MENSAGEM!
Abandonemos o campo, antes do começo da 2ª parte!


terça-feira, dezembro 16


Hoje é dia de Natal...para mim!

Amanhece o meu dia natalício, calmo, sereno, abençoado por uma lua quase plena em céu estrelado em fundo índigo.

Pouco passa das duas. Ainda há pouco, em silêncio espraiei o meu olhar num longínquo horizonte, polvilhado de imensas luzes amarelas, outras brancas e ainda outras vermelhas no topo das inúmeras torres eólicas em meu redor. Um fresco sopro suave balança uma árvore tenra de folhagem perene.

Mais uma ano!

Em jeito de balanço, sinto-me tranquilo, em paz. Consegui empenhar-me em vários projectos, agarrei oportunidades que me surgiram, estive atento.

Durante este ano, muitas foram as ocasiões que, ao fim de um dia cansativo e intenso, dei comigo a trautear sons não forçosamente parte de um trecho mas em criativa melodia de momento. E não raras foram as manhãs que quase em sintonia me deixei levar por voos de despreocupadas aves.

Sonhei e procurei que esse sonhos não se tornassem devaneios, por falta de concretização.

Recebi entregando-me, partilhei afectos, e entristeci em solidária tristeza de outros transportada.

Procurei corrigir-me e aprender. E há tanto por fazer!

Sinto-me grato pela caminhada, pela aquisição. Não me preocupo com metas. Estou mesmo convencido que mais que atingi-las , o caminho é o mais importante!

Não estou ausente do mundo, antes pelo contrário, estou no mundo, este, real!

Hoje começa um novo ano.

Feliz Ano Novo...para mim!

sexta-feira, dezembro 5

partida, partilha!

Era o Sénior mais sénior do grupo.

A doença, primeiramente de mansinho, intermitente depois, traiçoeira intensa e desgastante por fim, afastou-o do nosso convívio.

Há uns meses, já internado telefonou-me a justificar a sua falta na sessão do dia seguinte. Era um compromisso que assumia com grande alegria, a sua participação nas aulas de informática.

Durante meses partilhámos momentos, uns ligados à aprendizagem da tecnologia, outros de outras aprendizagens, da vida. Setenta e sete anos , muita vivência, experiências, um património imenso!

Esta minha forma de estar, de entrega a um Silva que só conhecera há um ano, causa-me também dor.

Durante semanas liguei-lhe para o telemóvel, ainda falei com ele, voz cansada, sofrida.

Nas últimas semanas o silêncio. Deixava-lhe um abraço...

Hoje, recebi um SMS oriundo do telefone do Artur.

Só hoje soube de quem era este contacto figurante na lista do móbil do meu querido e saudoso pai. O senhor era um ídolo para ele. Obrigada por lhe ter proporcionado momentos entusiasmantes”

Ídolo, eu!!!

Na minha garganta aquele nó que não deixa engolir, um nó que não consigo perceber qual a relação com os sacos lacrimogéneos. Permanece, mas, ao ler, reler e voltar a ler aquela mensagem, senti o Artur, senti que valeu a pena estar com ele em partilha. Com ele e com os outros!

Vivo intensamente o momento tal como intensamente absorvo o conteúdo da mensagem. Com muito gozo, assim falávamos.

Paz para ti, para mim!



quinta-feira, novembro 27

album (parte nove)


Aquela ideia que germinava na minha cabeça, o querer ser útil, fazer qualquer coisa para além da minha actividade bélica, encontrava cada vez mais terreno fértil.
Tinha o motivo, tinha a matéria prima, faltava-me a iniciativa. E tomei-a. Reunido com os meus soldados africanos, propus-lhes uma infiltração (palavra em voga em termos militares) pelos campos das letras e números. Chegámos a um consenso embora com muita incredulidade. E passámos à acção! Não se pretendia certificações, orientávamos pelo gozo do exercício do desafio e aquisição de novas descobertas.
Envolvi quem me poderia facultar livros escolares e tomamos uma sala anexa à “radio Tite”, um altifalante colocado no alto difundindo as escolhas musicais de um outro voluntário ou inconformado de sua condição de beligerante à força.
E iniciámos a caminhada. Entusiasmados, de um lado quem queria poder saber ler, do outro quem se julgava ser capaz de lhes proporcionar esse conhecimento. Mas não só, havia algo mais em mim de interesse, uma busca de fuga, um consumir de minutos, horas, um contrariar a condição de militar.
Apesar de todos estarmos de prevenção madrugada dentro, às nove horas assumíamos o compromisso da presença.
De início foram só os meus soldados africanos. Depois, um ou outro elemento da população, jovens que, assumindo a sua condição, ousavam querer ir mais além. Turma cheia, olhos vivos, brilhantes, ouvidos sôfregos, manuseamentos de lápis em gesto tosco em mãos hábeis em objectos bélicos. Dos encontros surgiam seduções, pequenas conquistas, sorrisos por vezes gargalhadas de cumplicidade, manifestações despreocupadas de prazer.
Não esqueço, e se isso fosse possível, ainda possuo os aerogramas que me foram escritos pelo Pedro, Joãozinho, Adulai e outros.
Letras! Mais desenhadas que outras, de tamanhos diferentes e de diferentes dificuldades de escrita. Mas letras, carregadinhas de sentimentos, de imagem, somente transmitidas até aí pela voz!
Sempre que evoco este episódio, recordo o quão difícil foi explicar, perante uma imagem do livro, o que era e como funcionava uma televisão. Eh, Eh, ecoavam em sorrisos incrédulos. A voz, tal como a rádio...vá lá, mas a imagem? Eh, Eh! Disse que sim, e pronto, não tinha nem argumento nem meio para mais!
Mas nem isso era importante, verdade ,verdadinha é que descobrira uma forma de me reencontrar, adquirir asas e soltar-me para além da “bolanha”!
Este contacto permitia-me estar mais com as pessoas, com suas aspirações, seus sonhos. E havia, estivesse eu atento. Aprendi, troquei.Hoje caminho felizmente em terrenos bem diferentes mas carrego a história de mim mesmo. E sorrio, em paz!

terça-feira, outubro 28

sentir a vida!

O dia amanheceu calmo, mas frio

Amanheceu fresco, o dia. Brumas no horizonte sobre o mar, manto suave moldando a serra em aconchego leve e alvo.

Envergonhado, ensonado, o sol espreita; espreguiça-se lentamente em luz, não calor ainda!

É o Outono que chega, de mansinho!

Pássaros saltitam de galho em galho penas levantadas, tiritando de frio. Sem alternativa, saltam, saltam saudosos das folhas que foram caindo, alheio à sua necessidade, o vento as levou, arrancou-as. Descobrem sementes esquecidas e mergulham, poucas.

E a natureza cumpre o seu ciclo. Longe vão os tempos de conforto, o aconchego das verdes folhas, o ondular dos dourados campos de trigo...a fartura.

Grasnam os corvos em voos planos, olhos atentos, sofregos. Partem bandos de aves.

Algumas não sabem onde ir, estão em bando. Partem!

Rastos de destruição de ventos fortes, castanhos vários quase vermelhos nas encostas de vinhas despojadas de fruto, desprendem-se em voo descontrolado. A paisagem é desoladora ou inspiradora, motivo de pinceis de artistas, imperceptível fonte de beleza melancólica, interiorizante, solitária.O chão recorta-se em tonalidades ocre, bronze, verde.

O Verão que parte ou o Outono que chega?

Há sempre que procurar o melhor ângulo, a perspectiva real.

Ver partir, ver chegar!

E sentir sempre o momento!


domingo, outubro 26

Nas Margens da Solidão




É o livro lançado recentemente pela editora Padrões Culturais.Uma edição que reverte na totalidade para o SOS VOZ AMIGA.

Que tem de especial? A colaboração de 18 autores portugueses que numa acção solidária se disponibilizaram a ajudar o SOS VOZ AMIGA.
Onde adquirir?
Em qualquer loja FNAC e livrarias BERTRAND.
Uma sugestão para oferta de Natal. Interessante para quem recebe, importante para o SOS VOZ AMIGA, um aconchego de alma para quem dá.
Uma questão de solidariedade efectiva!



terça-feira, setembro 16

Constatação...


Terminara o Jornal da Tarde, temas explorados, bombásticos, ocos, vãos, outros nem tanto.

Richard Wright teclista dos Pink Floyd, faleceu. Só por si, a notícia.

A peça de encerramento, um apontamento musical evocativo daquela banda.

Em meu corpo, uma estranha descarga eléctrica percorre-me dos pés à cabeça. Nunca fui de “letras”. Os sons, esses permanecem e evocam, geram sentimentos, talvez aqueles que expressos nas palavras, ou até não. Mas transmitem-me estados de alma, criam-me ambiências emocionais.

À janela de meus olhos debruçaram-se gostosamente cristalinas gotas, afinal não tão cristalinas que não me torvam a visão.

Sinto-me grato por ser assim.

As roupagem, os títulos, os cargos, o involucro, podem mudar. O suporte é único, é este!


quinta-feira, setembro 11

bestialidades!


- Olá D. Silvia, atirou para o guichet, a mulher de negro vestida, no corpo uma já longa vida denunciada,sulcos esculpidos no rosto, cabelos cinza, olhos negros ainda brilhantes; o meu marido manda cumprimentos pr'a menina...

- Olá D. Clara, correspondeu a funcionária do banco.
- Sabe, é só para dizer que o meu Carlos já não volta aqui, foi na quinta feira a última vez!
Vi-a de preto, faleceu-lhe o marido, pensei...E continuou.
- Sabe, ficou mesmo totalmente cego. Uma já estava, agora, a outra. Doença rara, disseram os médicos...
- Mas mesmo assim, ainda pode passar por cá, gostamos de o ver, replicou a funcionária.
- Não, as pernas já pesavam, e agora isto, ele só sai para ir ao médico, e mesmo assim...
Ontem chamou-se um táxi para o levar à consulta. No fim, o Carlos exclamou:
- Já viste que o homem nem saiu do volante para me ajudar! As pernas...e agora a cegueira!
Fiquei a pensar neste simples episódio! Gostava de ter a matrícula deste carro, para nunca usar!
Que cegueira a deste motorista, que paralisia mental.
Trabalhe-se as atitudes, sensibilize-se as consciências!
Solidariedade precisa-se!


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