

E foi-se abrindo!
Azul...
...em transformação!

...quase, quase
BRANCO!
Há que dar espaço, há que respeitar a identidade sem forçadas comparações. O caminho existe, diferente, autónomo, pessoal!
Que seja digno...sempre!



Não sei como se chama...
Sei que está em evolução e em breve será diferente, como as que a rodeiam.
Azul ténue, abraço em concha protectora, novelo, mil capilares entrelaçados em defesa de um núcleo.
Descobri-a serenamente embalada pela brisa da manhã!
Bom dia!


2 mil e poucos passos!
Na vereda, ladeada de coloridos vários, quase imperceptível...de lado a lado, cerca de um metro e meio.
O cão passou pela nesga inferior e a rede abanou. Vi-a.
O sol reflectiu e o bordado iluminou-se. Parei a tempo!
Apanhei-a na minha máquina, e passei por onde o cão passara...deixei-a ficar.
Mas fiquei a pensar.
Esta não era uma teia para humanos não obstante as dimensões.
E, no caminho, no dia a dia, quantas teias ardilhosamente tecidas, quantos humanos enridelhados?
São as facilidades ou facilitismos...
os engodos...
os vendilhões de sonhos...
os negócios em negociatas...
Digna aranha que caça para sobrevivência!

...rendo-me, contudo à eloquência do Padre António Vieira, “não porque que...nem para que... mas porque sim”.
“O Amor fino não há-de ter porquê nem para quê.
Se amo porque me amam é obrigação, faço o que devo.
Se amo para que me amem é negociação, busco o que desejo.
Pois como há-de o Amor amar para ser fino?
Amo porque amo, e amo para Amar“.
Ontem, por força das circunstâncias viajei de comboio, na linha de Sintra. Não fazia há muito tempo!
Os ponteiros do dia empurram as pessoas carruagem dentro, regresso a casa, transportando com elas um misto de cansaço, apatia. Pressa pelo tempo de paragem, pressa pela conquista de lugar sentado, pressa para fugir à baixa temperatura que permanecia no apeadeiro sem encontrar o comboio de retorno.
Filtrando o olhar, o meu e o dos outros, os meus óculos escuros observavam e abriam caminhos para as minhas divagações.
Em cima dos poucos bancos vagos, panfletos apelativos de um produto qualquer, propositadamente deixados, eram afastados na sua agressão de uma forma mecânica, e davam lugar a corpos cansados de mais uma jornada, corpos com rosto quase inexpressivo, olhos vagos, ausentes uns, fechados outros, e ainda outros desfiando as letras de um qualquer gratuito apanhado à entrada da estação.
Alguma gente nova quase sempre aos pares fazia a diferença, no movimentar-se, na cumplicidade estabelecida com naturalidade com os seus companheiros, nas expressões e risos quase profanos naquele ambiente solene da viagem entre muitos, em solidão. Às costas, algumas mochilas proporcionais ao peso e preocupação da vida.
A diferença que senti é que eu viajava de comboio, aquelas pessoas apanhavam o comboio, todos os dias, fazia parte da sua rotina !
Olhei, observei rostos, inventei histórias, criei personagens, caí na tentação dos preconceitos!
Naquela carruagem, alguém me viu?
Duvido. Ali, nestas circunstâncias, não há mais ninguém!
PS. Faz-se a apologia dos transportes públicos em detrimento dos privados! De Queluz a Algueirão paguei 1,20€. Tive que esperar o comboio, tive que andar da estação até ao ponto de chegada, o mesmo de regresso, e não chovia...
De carro, pelo menos no meu, faria três vezes o mesmo percurso com o preço dos bilhetes.
Transportes públicos caros ainda por cima suportados por quem menos pode, acho eu!

Hoje é dia de Natal...para mim!
Amanhece o meu dia natalício, calmo, sereno, abençoado por uma lua quase plena em céu estrelado em fundo índigo.
Pouco passa das duas. Ainda há pouco, em silêncio espraiei o meu olhar num longínquo horizonte, polvilhado de imensas luzes amarelas, outras brancas e ainda outras vermelhas no topo das inúmeras torres eólicas em meu redor. Um fresco sopro suave balança uma árvore tenra de folhagem perene.
Mais uma ano!
Em jeito de balanço, sinto-me tranquilo, em paz. Consegui empenhar-me em vários projectos, agarrei oportunidades que me surgiram, estive atento.
Durante este ano, muitas foram as ocasiões que, ao fim de um dia cansativo e intenso, dei comigo a trautear sons não forçosamente parte de um trecho mas em criativa melodia de momento. E não raras foram as manhãs que quase em sintonia me deixei levar por voos de despreocupadas aves.
Sonhei e procurei que esse sonhos não se tornassem devaneios, por falta de concretização.
Recebi entregando-me, partilhei afectos, e entristeci em solidária tristeza de outros transportada.
Procurei corrigir-me e aprender. E há tanto por fazer!
Sinto-me grato pela caminhada, pela aquisição. Não me preocupo com metas. Estou mesmo convencido que mais que atingi-las , o caminho é o mais importante!
Não estou ausente do mundo, antes pelo contrário, estou no mundo, este, real!
Hoje começa um novo ano.
Feliz Ano Novo...para mim!
Era o Sénior mais sénior do grupo.
A doença, primeiramente de mansinho, intermitente depois, traiçoeira intensa e desgastante por fim, afastou-o do nosso convívio.
Há uns meses, já internado telefonou-me a justificar a sua falta na sessão do dia seguinte. Era um compromisso que assumia com grande alegria, a sua participação nas aulas de informática.
Durante meses partilhámos momentos, uns ligados à aprendizagem da tecnologia, outros de outras aprendizagens, da vida. Setenta e sete anos , muita vivência, experiências, um património imenso!
Esta minha forma de estar, de entrega a um Silva que só conhecera há um ano, causa-me também dor.
Durante semanas liguei-lhe para o telemóvel, ainda falei com ele, voz cansada, sofrida.
Nas últimas semanas o silêncio. Deixava-lhe um abraço...
Hoje, recebi um SMS oriundo do telefone do Artur.
“Só hoje soube de quem era este contacto figurante na lista do móbil do meu querido e saudoso pai. O senhor era um ídolo para ele. Obrigada por lhe ter proporcionado momentos entusiasmantes”
Ídolo, eu!!!
Na minha garganta aquele nó que não deixa engolir, um nó que não consigo perceber qual a relação com os sacos lacrimogéneos. Permanece, mas, ao ler, reler e voltar a ler aquela mensagem, senti o Artur, senti que valeu a pena estar com ele em partilha. Com ele e com os outros!
Vivo intensamente o momento tal como intensamente absorvo o conteúdo da mensagem. Com muito gozo, assim falávamos.
Paz para ti, para mim!