ESTAMOS JUNTOS, assim se
despedia o meu amigo angolano Vicente cada vez que o dia de trabalho acabava.
De início a frase soava-me
estranha. Depois, dias e dias em convívio, experiências trocadas, aprendizagens,
senti-a.
Hoje é um dia especial. Entro
no clube dos setenta…
ESTAMOS JUNTOS é o que me
apetece dizer aos meus próximos, aos que me rodeiam por escolha, aos que de
alguma forma partilham o meu dia a dia, aos que se me cruzam.
ESTIVEMOS JUNTOS, é o que
profiro ao lembrar os meus pais, alguns familiares, amigos.
De uma forma ou de outra, ESTAR
é bom, SER, imperioso.
Se a longevidade não traz
sabedoria, é vã. Se a longevidade não é aprendizagem, é fútil. Se a longevidade
não traz desafio, é limite, meta e eu não quero, neste momento, frivolidades, desconhecimento,
quero continuar a ser provocador.
Cada vez mais estou selectivo,
escolho e permito ser escolhido.
Muitas vezes uso um software
de apoio remoto. Para poder completar a acção com sucesso há que haver
comunicação e permissão. Sem essas premissas há diálogo, mas não encontro. No
dia a dia, sem a sofisticação de um software, com naturalidade, há abordagens,
diálogos encontros e desencontros. Essencial a permissão, a aceitação…
Se ninguém pode alterar as
vivências passadas, pode-se prevenir uma forma de estar futura. A isso chamo
caminho harmonioso para a velhice.
As certezas de hoje são como
os sabores de antigamente. Já me questionei algumas vezes…porque gostava
daquilo?
Acontecer, fazer acontecer, surpreender
e ser surpreendido. Ouso, esforço-me para que o que acontece seja vivido como
momento, faço acontecer porque gero o momento. Surpreendo quem ainda não me
conhece de todo, quem me atribui generosamente predicados, sou surpreendido porque
tenho limites. Vivo melhor quando consigo gerir a surpresa e transformá-la em
momento.
A importância dos setenta não
é maior que os vinte, quarenta ou cinquenta. Acontece isso sim que temos o
privilégio de mais vida e quer queiramos ou não somos catalogados. Tenho como objectivo
ter tido um prólogo, ser substância, obra, e epílogo. O índice deixarei por
criar…
ESTAMOS JUNTOS, VIVOS, ACTIVOS,
convictamente convencidos da bondade dos nossos procedimentos, assim espero.
FELIZMENTE VELHO!