Fala-se das juntas que existem, das que não deviam existir. Fala-se...cansativamente, por vezes sem nexo.
Há dias, estava na sala contígua, o telefone tocou, oiço a funcionária - "olá D. M, tenha calma, sente-se e respire, tenha calma...",cinco, dez minutos, sem pressa.
A dita junta serve menos de dois mil habitantes, velhos por essência, numa área de cerca de 18.000 km2. Para além do nº de eleitor, há PESSOAS.
Na junta pagam-se vários serviços, (água, luz, telefone) e é em simultâneo posto de correios.
Vezes sem conta sentados no hall de entrada, idosos sem idade, muita em denúncia dos rostos cinzelados, esperam. Atentos ao movimento, ouvem, sorriem e às vezes falam. Mãos ressequidas pela dureza dos solos, olhos gastos de vistas várias, indumentárias negras de solidão, indicador negro de identificação.
Vieram à junta, trouxeram-nos à junta, às senhoras da junta.
Alguém, os levará de regresso a casa, nem que seja a carrinha da junta...
Fala-se das juntas que existem, das que deviam existir.
Fala-se ... cansativamente, por vezes sem nexo.
Sem bom senso!