Acerca de mim

A minha foto
Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

domingo, janeiro 4

" 2 0 0 9" B A P

E pronto, eis-nos em 2009!
Não sei se o alcançámos ou ele a nós! Questão secundária!
A chegada ou entrada de novo ano traz-nos sempre propósitos, previsões e juras.
Em meu pouco saber, estes três elementos situam-se todos na mesma área, a ficção ou melhor, o departamento do nosso não envolvimento. Rituais, tal como as passas!
Numa época em que somos bombardeados por rentabilidades e “spreads”, em mais valias e benefícios, marginalmente e contrariando as correntes, aconselho o investimento no BAP.
É uma instituição ancestral com rendimento garantido e satisfação plena.
Tão absorvente, tão exigente, tão possível a pequenos investidores, o depósito tem conseguido ser sempre benéfico ao longo das catástrofes de mercado, para além dos interesses irracionais, das políticas de novos aprendizes de alquimistas.
BAP – Banco dos Afectos e Partilha!
Somos muitos, orgulhosa e corajosamente seremos mais!
Garantidamente com Afecto, seguramente em Partilha, um investimento pleno em 2009!
Fontes do mercado afirmam não haver concorrência!


segunda-feira, dezembro 29

massacres!



E chegamos ao intervalo...Dizem as operadoras que aumentou o tráfego!
Claro que estou a referir-me àquele fluxo de movimento entre operadoras de telemóveis que pomposamente apelidam de mensagens de Natal!
Uma mensagem, deve ter um emissor, um meio, um receptor e se não tiver conteúdo não é inteligível.
  1. Emissor: Será que emana algum cunho pessoal deste tipo de operação?
  2. Meio: Sim, cumpre em pleno, enche os cofres.
  3. Receptor: Ah, pois é fulano!
  4. Conteúdo:?????bla,bla,bla
Alguém em seu juízo entende como mensagem de Natal o bla, bla,bla do José Sócrates, na Televisão? É um faz de conta, tal como milhares de toques em telemóveis. Rituais...
Este ano recebi uma dessas, descaracterizada, impessoal, enviada em série num percurso de lista telefónica, em memória!
Claro que a pessoa em questão não era uma qualquer, tenho-a como próximo, o que me levou de imediato a telefonar, e de viva voz manifestar a frieza de tal pseudo mensagem, e o quão despersonalizada era esta cadeia. Acho que após esgrimir meus argumentos, entendeu!
Espera-se que alguém nos apresente a mudança de procedimentos, estamos sempre à espera que façam qualquer coisa por nós. É tempo de convencimento, de auto-convencimento. Paremos com estas manifestações irracionais, não tenhamos medos de manifestar os nossos afectos, únicos, pessoais, atentos às pessoas, blindemo-nos a estas manipulações destituídas de entrega!
Eu já iniciei a minha campanha ANTI MENSAGEM!
Abandonemos o campo, antes do começo da 2ª parte!


terça-feira, dezembro 16


Hoje é dia de Natal...para mim!

Amanhece o meu dia natalício, calmo, sereno, abençoado por uma lua quase plena em céu estrelado em fundo índigo.

Pouco passa das duas. Ainda há pouco, em silêncio espraiei o meu olhar num longínquo horizonte, polvilhado de imensas luzes amarelas, outras brancas e ainda outras vermelhas no topo das inúmeras torres eólicas em meu redor. Um fresco sopro suave balança uma árvore tenra de folhagem perene.

Mais uma ano!

Em jeito de balanço, sinto-me tranquilo, em paz. Consegui empenhar-me em vários projectos, agarrei oportunidades que me surgiram, estive atento.

Durante este ano, muitas foram as ocasiões que, ao fim de um dia cansativo e intenso, dei comigo a trautear sons não forçosamente parte de um trecho mas em criativa melodia de momento. E não raras foram as manhãs que quase em sintonia me deixei levar por voos de despreocupadas aves.

Sonhei e procurei que esse sonhos não se tornassem devaneios, por falta de concretização.

Recebi entregando-me, partilhei afectos, e entristeci em solidária tristeza de outros transportada.

Procurei corrigir-me e aprender. E há tanto por fazer!

Sinto-me grato pela caminhada, pela aquisição. Não me preocupo com metas. Estou mesmo convencido que mais que atingi-las , o caminho é o mais importante!

Não estou ausente do mundo, antes pelo contrário, estou no mundo, este, real!

Hoje começa um novo ano.

Feliz Ano Novo...para mim!

sexta-feira, dezembro 5

partida, partilha!

Era o Sénior mais sénior do grupo.

A doença, primeiramente de mansinho, intermitente depois, traiçoeira intensa e desgastante por fim, afastou-o do nosso convívio.

Há uns meses, já internado telefonou-me a justificar a sua falta na sessão do dia seguinte. Era um compromisso que assumia com grande alegria, a sua participação nas aulas de informática.

Durante meses partilhámos momentos, uns ligados à aprendizagem da tecnologia, outros de outras aprendizagens, da vida. Setenta e sete anos , muita vivência, experiências, um património imenso!

Esta minha forma de estar, de entrega a um Silva que só conhecera há um ano, causa-me também dor.

Durante semanas liguei-lhe para o telemóvel, ainda falei com ele, voz cansada, sofrida.

Nas últimas semanas o silêncio. Deixava-lhe um abraço...

Hoje, recebi um SMS oriundo do telefone do Artur.

Só hoje soube de quem era este contacto figurante na lista do móbil do meu querido e saudoso pai. O senhor era um ídolo para ele. Obrigada por lhe ter proporcionado momentos entusiasmantes”

Ídolo, eu!!!

Na minha garganta aquele nó que não deixa engolir, um nó que não consigo perceber qual a relação com os sacos lacrimogéneos. Permanece, mas, ao ler, reler e voltar a ler aquela mensagem, senti o Artur, senti que valeu a pena estar com ele em partilha. Com ele e com os outros!

Vivo intensamente o momento tal como intensamente absorvo o conteúdo da mensagem. Com muito gozo, assim falávamos.

Paz para ti, para mim!



quinta-feira, novembro 27

album (parte nove)


Aquela ideia que germinava na minha cabeça, o querer ser útil, fazer qualquer coisa para além da minha actividade bélica, encontrava cada vez mais terreno fértil.
Tinha o motivo, tinha a matéria prima, faltava-me a iniciativa. E tomei-a. Reunido com os meus soldados africanos, propus-lhes uma infiltração (palavra em voga em termos militares) pelos campos das letras e números. Chegámos a um consenso embora com muita incredulidade. E passámos à acção! Não se pretendia certificações, orientávamos pelo gozo do exercício do desafio e aquisição de novas descobertas.
Envolvi quem me poderia facultar livros escolares e tomamos uma sala anexa à “radio Tite”, um altifalante colocado no alto difundindo as escolhas musicais de um outro voluntário ou inconformado de sua condição de beligerante à força.
E iniciámos a caminhada. Entusiasmados, de um lado quem queria poder saber ler, do outro quem se julgava ser capaz de lhes proporcionar esse conhecimento. Mas não só, havia algo mais em mim de interesse, uma busca de fuga, um consumir de minutos, horas, um contrariar a condição de militar.
Apesar de todos estarmos de prevenção madrugada dentro, às nove horas assumíamos o compromisso da presença.
De início foram só os meus soldados africanos. Depois, um ou outro elemento da população, jovens que, assumindo a sua condição, ousavam querer ir mais além. Turma cheia, olhos vivos, brilhantes, ouvidos sôfregos, manuseamentos de lápis em gesto tosco em mãos hábeis em objectos bélicos. Dos encontros surgiam seduções, pequenas conquistas, sorrisos por vezes gargalhadas de cumplicidade, manifestações despreocupadas de prazer.
Não esqueço, e se isso fosse possível, ainda possuo os aerogramas que me foram escritos pelo Pedro, Joãozinho, Adulai e outros.
Letras! Mais desenhadas que outras, de tamanhos diferentes e de diferentes dificuldades de escrita. Mas letras, carregadinhas de sentimentos, de imagem, somente transmitidas até aí pela voz!
Sempre que evoco este episódio, recordo o quão difícil foi explicar, perante uma imagem do livro, o que era e como funcionava uma televisão. Eh, Eh, ecoavam em sorrisos incrédulos. A voz, tal como a rádio...vá lá, mas a imagem? Eh, Eh! Disse que sim, e pronto, não tinha nem argumento nem meio para mais!
Mas nem isso era importante, verdade ,verdadinha é que descobrira uma forma de me reencontrar, adquirir asas e soltar-me para além da “bolanha”!
Este contacto permitia-me estar mais com as pessoas, com suas aspirações, seus sonhos. E havia, estivesse eu atento. Aprendi, troquei.Hoje caminho felizmente em terrenos bem diferentes mas carrego a história de mim mesmo. E sorrio, em paz!

terça-feira, outubro 28

sentir a vida!

O dia amanheceu calmo, mas frio

Amanheceu fresco, o dia. Brumas no horizonte sobre o mar, manto suave moldando a serra em aconchego leve e alvo.

Envergonhado, ensonado, o sol espreita; espreguiça-se lentamente em luz, não calor ainda!

É o Outono que chega, de mansinho!

Pássaros saltitam de galho em galho penas levantadas, tiritando de frio. Sem alternativa, saltam, saltam saudosos das folhas que foram caindo, alheio à sua necessidade, o vento as levou, arrancou-as. Descobrem sementes esquecidas e mergulham, poucas.

E a natureza cumpre o seu ciclo. Longe vão os tempos de conforto, o aconchego das verdes folhas, o ondular dos dourados campos de trigo...a fartura.

Grasnam os corvos em voos planos, olhos atentos, sofregos. Partem bandos de aves.

Algumas não sabem onde ir, estão em bando. Partem!

Rastos de destruição de ventos fortes, castanhos vários quase vermelhos nas encostas de vinhas despojadas de fruto, desprendem-se em voo descontrolado. A paisagem é desoladora ou inspiradora, motivo de pinceis de artistas, imperceptível fonte de beleza melancólica, interiorizante, solitária.O chão recorta-se em tonalidades ocre, bronze, verde.

O Verão que parte ou o Outono que chega?

Há sempre que procurar o melhor ângulo, a perspectiva real.

Ver partir, ver chegar!

E sentir sempre o momento!


domingo, outubro 26

Nas Margens da Solidão




É o livro lançado recentemente pela editora Padrões Culturais.Uma edição que reverte na totalidade para o SOS VOZ AMIGA.

Que tem de especial? A colaboração de 18 autores portugueses que numa acção solidária se disponibilizaram a ajudar o SOS VOZ AMIGA.
Onde adquirir?
Em qualquer loja FNAC e livrarias BERTRAND.
Uma sugestão para oferta de Natal. Interessante para quem recebe, importante para o SOS VOZ AMIGA, um aconchego de alma para quem dá.
Uma questão de solidariedade efectiva!



terça-feira, setembro 16

Constatação...


Terminara o Jornal da Tarde, temas explorados, bombásticos, ocos, vãos, outros nem tanto.

Richard Wright teclista dos Pink Floyd, faleceu. Só por si, a notícia.

A peça de encerramento, um apontamento musical evocativo daquela banda.

Em meu corpo, uma estranha descarga eléctrica percorre-me dos pés à cabeça. Nunca fui de “letras”. Os sons, esses permanecem e evocam, geram sentimentos, talvez aqueles que expressos nas palavras, ou até não. Mas transmitem-me estados de alma, criam-me ambiências emocionais.

À janela de meus olhos debruçaram-se gostosamente cristalinas gotas, afinal não tão cristalinas que não me torvam a visão.

Sinto-me grato por ser assim.

As roupagem, os títulos, os cargos, o involucro, podem mudar. O suporte é único, é este!


quinta-feira, setembro 11

bestialidades!


- Olá D. Silvia, atirou para o guichet, a mulher de negro vestida, no corpo uma já longa vida denunciada,sulcos esculpidos no rosto, cabelos cinza, olhos negros ainda brilhantes; o meu marido manda cumprimentos pr'a menina...

- Olá D. Clara, correspondeu a funcionária do banco.
- Sabe, é só para dizer que o meu Carlos já não volta aqui, foi na quinta feira a última vez!
Vi-a de preto, faleceu-lhe o marido, pensei...E continuou.
- Sabe, ficou mesmo totalmente cego. Uma já estava, agora, a outra. Doença rara, disseram os médicos...
- Mas mesmo assim, ainda pode passar por cá, gostamos de o ver, replicou a funcionária.
- Não, as pernas já pesavam, e agora isto, ele só sai para ir ao médico, e mesmo assim...
Ontem chamou-se um táxi para o levar à consulta. No fim, o Carlos exclamou:
- Já viste que o homem nem saiu do volante para me ajudar! As pernas...e agora a cegueira!
Fiquei a pensar neste simples episódio! Gostava de ter a matrícula deste carro, para nunca usar!
Que cegueira a deste motorista, que paralisia mental.
Trabalhe-se as atitudes, sensibilize-se as consciências!
Solidariedade precisa-se!


sábado, setembro 6

Act Locally...(divulgação solidária)


Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, a 10 de Setembro. "Think Globally, Plan Nationally, Act Locally”

72 Horas contínuas de atendimento

Assinala-se a 10 de Setembro de 2008 o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, iniciativa da Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS). “Think Globally, Plan Nationally, Act Locally” foi o tema escolhido para este ano.

O SOS VOZ AMIGA comemora este anos 30 anos de existência. Foi o primeiro telefone de ajuda, na área da prevenção do suicídio, que surgiu em Portugal, atendendo todos os dias das 16h00 às 24h00.

Associando-se a esta efeméride,os voluntários desta linha, de uma forma solidária, decidiram efectuar uma jornada contínua de atendimento desde as 00h00 do dia 9, até às 24h00 do dia 11, através dos seus telefones:

21 354 45 45
91 352 46 60
96 352 46 60


www.sosvozamiga.org
sosvozamiga@gmail.com

terça-feira, agosto 5

album (parte oito)

O silêncio e a noite foram tomando todo o aquartelamento e povoação. Acenderam-se as luzes, umas electricas de gerador outras a petróleo. Nos focos ao longo do arame farpado, insectos vários, borboletas e mosquitos hipnotizados em movimentos desgovernados.
Mais uma noite de prevenção normal não fossse a tensão acumulada dia após dia naquelas últimas semanas. O Nino fora visto na zona, rumor discretamente passado por informadores anónimos, conhecidos ou familiares, dignos de alguma credibilidade.

Respirava-se fundo, de alívio aquando do regresso dos militares em saídas pelo mato, sem incidentes...Depois vinham as noites!

Cada Obús estava apontado para determinadas zonas definidas pelos estrategos da defesa em consonância com o oficial de operações.

Sentado no paiol, nas flechas do obús ou em pé, olhava o negro do firmamento descobrindo estrelas, criando desejos de evasão. Conversas de circunstância, Rádio Conakri ao ombro de um soldado, ouvidos quase colados. No horizonte negro sem limites,os olhos procuravam descobrir, não o desejando nunca, um alaranjado de disparo, ouvidos captando eventual estampido. E o tempo passava, demasiado arrastado!

Subitamente, um sonoro “jacto” passando sobre as nossas cabeças. Um projéctil. Aprendi que quando os ouvia, caíam longe, para além. Olhos atentos, um alaranjado no escuro. Não passou! Um rebentamento curto. Dois, somente dois tiros. A alvo seria corrigido por informadores, segundo me disseram. E assim foi, poucos dias depois.
Entretanto, e como hábito, mal se tinha sentido o primeiro projectil agressivo, fez-se fogo de obús.

Depois, depois só vivido!
Do nada, de entre as tabancas, disparados por milicias, balas tracejantes sulcavam o negro do céu, disparam-se morteiros 80 e 60, cantaram as HK, as G3 nas valas, nos abrigos.

Quando o silêncio caíu, a noite cobriu-se de névoa de pólvora, um acre adocicado sabor na garganta... Dez minutos talvez nem tanto numa luta sem tréguas com um inimigo invisível, inexistente!

Porquê tanta confusão? Contra quem se disparara? No momento construiram-se histórias corroborando as fantasias dos outros, com a mesma convicção.

Que se pretendera afugentar? O medo, simplesmente o medo, o pânico. Esta exorcização custou milhares de balas, dezenas de granadas. A Bissau chegaram os relatos. Havia que justificar o gasto de tanto material -Tite sofrera uma tentativa de de assalto, vulgo “golpe de mão”!!!

O ataque de pânico nunca constou em relatos!

quarta-feira, julho 30

ser voluntário...não é fácil



Muitos de nós, aquando o afastamento da chamada vida activa, sentem o vazio que é abandonar a rotina dos horários, das actividades.
Lembro-me, no dia imediato a ter passado à “reserva”, com uma pontualidade britânica acordar, mecanicamente com um pé fora da cama, ter-me questionado, para onde vais? Um vazio profundo, um tomar consciência talvez reportado por outros, mas só naquele momento sentido...Que posso fazer para manter a minha sanidade mental, questionei-me.

A hipótese de voluntariado pareceu-me excelente. Procurei, inscrevi-me, uns através da net, outros localmente. Fundação do Gil, tão publicitada, Hospital Amadora Sintra, e outros mais.

Da primeira não obtive qualquer retorno a não ser através da recepção via mail, passados meses, de uma folha excel com campo a preencher na disponibilidade de venda de “bonequinhos” num grande espaço comercial. Ignorei, pois pensei não ser dirigida a mim. Poucos dias depois, nova insistência, nova área comercial, nova folha...Que fiz? Talvez isso que calculam mas com uma vertente pedagógica. Sabem o que é ser voluntário, perguntei. Ajudei-os a pensar e a avaliar procedimentos, e pedi para retirarem a minha ficha do lote dos ditos.

No Hospital Amadora Sintra tive que me deslocar quatro vezes para proceder à inscrição. Papéis, fotocópias, fotos, tudo deixei entusiasmado. Quer trabalhar com católicos ou outra religião, perguntou-me a Senhora responsável. Que não, não ia a fim de propagar a fé, disse. Queria ser voluntário naquela instituição, simplesmente

Passaram-se seis meses, fui convocado para uma entrevista com uma senhora Drª Psiquiatra. Uma hora de amena cavaqueira, que sim, que encontrava em mim potencial para ser voluntário...Passaram-se três anos, devo estar numa fila muito frequentada, não me chamaram...
Passei na Entrajuda e permaneci um ano. Realizei-me, recebi, contribuindo.

Mas há sonhos...

A malta sénior, pois! Propus um projecto de sensibilização à informática a três autarquias da periferia de Lisboa. Arruda dos Vinhos, Alenquer e Sobral de Monte Agraço.
Espaços, equipamentos, matéria prima de interessados. Voluntário puro e duro, sem contrapartida para além do retorno de brilho de olhos cansados, sorrisos de descoberta.Parecia perfeito.
Arruda, mantém o seu espaço fechado todas as manhãs, equipamento desaproveitado. Que faltou? QUERER!
Alenquer, entusiasmo pela ideia, mais de uma vintena de interessados. Que falhou? ORGANIZAÇÃO!
No Sobral, concretizei o meu projecto. Há sala disponível, há um tirar partido das estruturas, há o empenhamento sem limites da Autarquia. Não faltou o QUERER, a ORGANIZAÇÃO, a SENSIBILIDADE!

Cumpri a minha primeira etapa. Vamos para férias. Nos olhos colho brilho de entusiasmo, sorrisos de contributo de bem estar.
Voltaremos.

Ser voluntário é difícil ou não?

Sem duplas consonantes no nome, sem “de” e “e” na junção dos apelidos, sem conhecer a prima da tia do Sr que é director geral e que se movimenta bem no mediatismo dos orgãos de informação, ser voluntário ainda não é coisa fácil!



terça-feira, julho 8

um episódio...comum!



Ontem, de regresso a casa tive uma surpresa!
Não convidados, mas decididos a entrar em casa, partiram uma janela da cozinha, vidro duplo e quadrículas interiores, e entraram.Cuidadosos, partiram o vidro, não danificaram o alumínio lacado! Haja consciência!
Chave à porta, ligeiramente entreaberta, uma corrente de ar não habitual alertou-me. Vidros no chão, janela aberta, uma luz acesa. O óbvio!
Dinheiro vivo? Jóias? Ouro? Nada. Defraudados, uma câmara fotográfica, um disco rígido externo foi o saque!
Portugal, 2008, um episódio comum, daqueles que se costuma ouvir a terceiros, esquecendo muitas vezes que somos “terceiros” no universo dos outros. Aconteceu-me.
E porque não, se sou também cidadão de pleno direito? Estava a ver que não tinha direito a ter o meu “assaltozinho”
A máquina digital ainda tinha o registo de momentos, vistas. Foi-se. E daí? Os momentos vivenciados, esses não podem ser roubados, permanecem.
O disco rígido externo tinha backups. Os originais...tenho eu!
Contrariedade foi ter de arranjar uma oficina de alumínios para recolocação dos vidro. Mas mesmo essa trouxe-me conhecimento. O vidros não são colocados um a um, são fornecidos directamente da fábrica em painel. Demora uns dias, vou ter que ter as portadas fechadas. O meu Sol matinal por ali não entra...paciência. Vou aceitar a brisa que pelas frestas vai assobiando. Companhia sonora, suave, em despique com o cântico dos pássaros, mais audível!
Este episódio mesmo que negativo não me fará apagar os tantos bons momentos que tenho vivido nesta mesma casa.
DECIDIDAMENTE!


terça-feira, julho 1

Vale mesmo a pena!!!!



Alguém de bom senso e sensibilidade fez-me chegar este link. Aos meus amigos e conhecidos fi-lo chegar por mail.
Acho de uma importância enorme partilhar com quem eventualmente aqui chega.
Percam uns minutos (ou ganhem) e vejam até ao fim.
Para reflectir...e agir!


http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755&hl=en



_________________________________________________________

quinta-feira, junho 26

pensando alto...



Tenho andado afastado deste meu cantinho e isso até se deve a bons motivos. Afastado na actividade da escrita mas não do exercício de cidadania, na participação de corpo e alma em outras causas em que acredito dar o meu contributo. Na entrega a causas solidárias encontro o meu equilíbrio, exercito o pensamento partilho momentos com PESSOAS.

Somos um país de uma cultura democrática débil, de práticas cívicas deficitárias. A provar isso mesmo, as quotas. Quotas na participação das mulheres na Assembleia da República, quotas no ingresso dos deficientes no mercado de trabalho...No meu conceito de democracia, o estabelecimento de quotas não tem qualquer cabimento. Só existe porque a democracia ainda não é vivência.

E quanto a idosos? Portugal é um país envelhecido sem renovação efectiva à vista, devido essencialmente a políticas subjugadas aos poderes económicos, a ausência de ética do quotidiano, à "coisificação" do SER, à transmissão de conceitos de progresso duvidosos, os apelos sistemáticos ao parecer, ao ter como forma de realização pessoal.

Sendo a população significativamente idosa, não concebo que nos órgãos autárquicos, ou mesmo no poder central não exista de forma visível uma representação, melhor, participação.

Atingida uma classificação de "sénior" a população passa a ser como um peso para a sociedade, sem voz activa, como se todo o património de saberes se tivesse esvaído, sem sensibilidades. Há sempre alguém que decide por eles, que pretende falar por eles, que ousa insinuar-se como porta voz, só que não sente como eles, não sabe como eles, não experimentou vivências como eles.

Ninguém pode ser autêntico no faz de conta!

Participação cívica, envolvimento eficaz, organização, sensibilização, precisa-se.

No dia que os idosos se organizem localmente, regionalmente e a nível nacional, que descubram o poder do exercício da cidadania, que retomem os seus direitos de cidadãos sem manipulações partidárias de conveniência, será um perigo para quem se limita a visitar lares, praças, feiras em horas de ponta política.

Já agora, antidemocraticamente falando, porque não estabelecer quotas de representatividade efectiva?

______________________________________________