
Acerca de mim
- Afonso Faria
- Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!
sexta-feira, outubro 26
quarta-feira, outubro 24
album (parte zero)
Gaveta:
...do baú das recordações

Apertar os cintos! O DC6 roncando fez-se à pista e num esforço de hélices ensurdecedor começou a ensaiar o voo. Pouco passava da meia-noite.
Carregado de silêncios ébrios, uns mais que outros, os pensamentos voavam céleres, transponham a carlinga, ficavam em terra em memórias de afecto, aconchegados em abraços já saudosos . Ali só corpos, olhos fixos em nada, vermelhos, de choros de revolta contidos, fardas verdes, destino Guiné!
21 anos. Fora apanhado no fim do ano lectivo, o primeiro da Faculdade. A convocatória, embora não explícita, dizia que o meu contributo era essencial para o sucesso do triunfo das forças armadas, daí em vão o pedido de adiamento.
Os meus pais sentiram-se agradecidos, altamente prestigiados pelos filhos que tinham. Um em Angola, atirador, outro em Moçambique, minas e armadilhas e agora eu, artilheiro na Guiné. E isso podia acontecer, perguntam. E o que é que não podia, naquela altura?
Quando hoje vejo as chegadas ou partidas das tropas portuguesas para ou de um qualquer país, não me posso alhear do outro filme vivido, sentido, noutros tempos.
Que diferença!
Naquela altura, dizia-se que havia subornos para livrar da tropa. Hoje dizem que há subornos para ser incluído nos contingentes que vão em missão para o exterior.
Naquela altura, todos eram voluntários…à força. Todos não, porque os “papa comissões” do quadro até se moviam nos corredores do poder para acumular medalhas comemorativas de expedições…e riqueza!
Naquela altura as comissões rondavam os dois anos. Hoje ficam-se pelos seis meses!
Enfim, que negócio a guerra!
Escura a noite só iluminada pelo incandescente dos motores, que até abrandavam em pleno voo. - É assim mesmo, dizia-me o Sobral, sentado a meu lado. Fora voluntário aos 17 anos,na força aérea.Se ele dizia, talvez soubesse do que estava a falar. Ficava-me na dúvida mas uma força maior que a certeza dele levava-me a contabilizar as vezes que via as pás das hélices, através do vermelhão dos motores.Noite em branco, um torpor de corpo e espírito, dores nos músculos em contracção, preocupação da proximidade de dias incertos, ausência de referências do passado!
Carregado de silêncios ébrios, uns mais que outros, os pensamentos voavam céleres, transponham a carlinga, ficavam em terra em memórias de afecto, aconchegados em abraços já saudosos . Ali só corpos, olhos fixos em nada, vermelhos, de choros de revolta contidos, fardas verdes, destino Guiné!
21 anos. Fora apanhado no fim do ano lectivo, o primeiro da Faculdade. A convocatória, embora não explícita, dizia que o meu contributo era essencial para o sucesso do triunfo das forças armadas, daí em vão o pedido de adiamento.
Os meus pais sentiram-se agradecidos, altamente prestigiados pelos filhos que tinham. Um em Angola, atirador, outro em Moçambique, minas e armadilhas e agora eu, artilheiro na Guiné. E isso podia acontecer, perguntam. E o que é que não podia, naquela altura?
Quando hoje vejo as chegadas ou partidas das tropas portuguesas para ou de um qualquer país, não me posso alhear do outro filme vivido, sentido, noutros tempos.
Que diferença!
Naquela altura, dizia-se que havia subornos para livrar da tropa. Hoje dizem que há subornos para ser incluído nos contingentes que vão em missão para o exterior.
Naquela altura, todos eram voluntários…à força. Todos não, porque os “papa comissões” do quadro até se moviam nos corredores do poder para acumular medalhas comemorativas de expedições…e riqueza!
Naquela altura as comissões rondavam os dois anos. Hoje ficam-se pelos seis meses!
Enfim, que negócio a guerra!
Escura a noite só iluminada pelo incandescente dos motores, que até abrandavam em pleno voo. - É assim mesmo, dizia-me o Sobral, sentado a meu lado. Fora voluntário aos 17 anos,na força aérea.Se ele dizia, talvez soubesse do que estava a falar. Ficava-me na dúvida mas uma força maior que a certeza dele levava-me a contabilizar as vezes que via as pás das hélices, através do vermelhão dos motores.Noite em branco, um torpor de corpo e espírito, dores nos músculos em contracção, preocupação da proximidade de dias incertos, ausência de referências do passado!
Manhã, finalmente! Oito horas levara o avião a percorrer a distância entre Lisboa e Cabo Verde. Escala técnica, apelidaram.
Um bafo, uma vaga de calor intenso quando abriram as portas!
Um bafo, uma vaga de calor intenso quando abriram as portas!
Esticaram-se as pernas, os braços, procurou-se espreguiçar os olhos em vão, alimentou-se o negro da alma com o fumo de um cigarro.
Calor, uma arenosa claridade agressiva, que desconforta, garganta seca.
O primeiro contacto com a Coca-Cola de lata!
Calor, uma arenosa claridade agressiva, que desconforta, garganta seca.
O primeiro contacto com a Coca-Cola de lata!
Ali também seria Portugal?
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Afonso Faria
em
08:30
sexta-feira, outubro 19
estar, sentir...contemplar!
Gaveta:
meus olhares...

…e por vezes nem sei se quero tudo ver ou saber bem !Se me questiono no que envolto na neblina encontro, perco objectividade daquela observação do momento.Não mais estarei ali,à mesma hora com a mesma intensidade de luz e nevoeiro.
Recuso perder-me em divagações, esbanjando recursos e energias em descoberta de hipotéticas complementaridades não visíveis ou mesmo recriadas, o não momento!
A cena é esta, nela me diluo, sombra, integro, respiro intensamente!
Dela emana silêncio harmonioso, aroma silvestre húmido de terra beijada em sereno nocturno, pintam-se-me os olhos de cores ainda não catalogadas, misturas de pigmentos em tons selvagens, não fixos! O azul não é mais nem menos que, o verde, castanhos, vermelhos também, e mesmo os cinza ou esta manta cromática!
Não tenho saudades do amarelo ou negro que há-de vir ou foi, de como seria se...
Nada mais que isto. Pura e simples.
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Afonso Faria
em
12:26
segunda-feira, outubro 15
questão de título
Um convite para um evento chegou-me!
Olhando o envelope, (ex. Senhor Dr.) transportei-me à época quando exercia funções numa multinacional, na área das Infraestruturas.
Raro era o dia que ou pelo telefone, por mail ou mesmo correio postal, não fosse investido na qualidade de Dr. ou Eng.
Não sou Dr., dizia muitas vezes ao telefone, sendo de imediato apelidado de Eng., após embaraçoso pedido de desculpas do meu interlocutor!
Saiam-me baratos estes títulos académicos. E nem tinha que comprar diplomas!
De uma forma provinciana, há a tendência de 1º catalogar o indivíduo, o invólucro, e só depois reconhecer a PESSOA.
E se assim não fosse aceite nesta sociedade de vaidadezinhas faz de conta, não haveria tanta corrida a canudos muitos deles, como é público de duvidosa proveniência e muito coincidentes acasos!
Tenho apreço pela competência, seja ela diplomada ou não. Não basta fazer, há que fazer bem.
Hoje felizmente o acesso às Universidades é mais generalizado e muitas das competências são certificadas, ou os caminhos para as atingir mais consistentes.
Apesar das roupagens e adereços que possa o indivíduo transportar, a diferença está no SER.
Creio que a transitoriedade do exercício de funções, o deslumbramento do parecer no momento, as horas ébrias do bem que é fazer de conta poderão ser veículo para esquecimento da IDENTIDADE.
Despidos de cargos, funções, poderes, quem é quem?
Se calhar, mais que ser lembrado pelo que fazia, agrada-me o reconhecimento do que SOU, (mesmo com todas as imperfeições).
Olhando o envelope, (ex. Senhor Dr.) transportei-me à época quando exercia funções numa multinacional, na área das Infraestruturas.
Raro era o dia que ou pelo telefone, por mail ou mesmo correio postal, não fosse investido na qualidade de Dr. ou Eng.
Não sou Dr., dizia muitas vezes ao telefone, sendo de imediato apelidado de Eng., após embaraçoso pedido de desculpas do meu interlocutor!
Saiam-me baratos estes títulos académicos. E nem tinha que comprar diplomas!
De uma forma provinciana, há a tendência de 1º catalogar o indivíduo, o invólucro, e só depois reconhecer a PESSOA.
E se assim não fosse aceite nesta sociedade de vaidadezinhas faz de conta, não haveria tanta corrida a canudos muitos deles, como é público de duvidosa proveniência e muito coincidentes acasos!
Tenho apreço pela competência, seja ela diplomada ou não. Não basta fazer, há que fazer bem.
Hoje felizmente o acesso às Universidades é mais generalizado e muitas das competências são certificadas, ou os caminhos para as atingir mais consistentes.
Apesar das roupagens e adereços que possa o indivíduo transportar, a diferença está no SER.
Creio que a transitoriedade do exercício de funções, o deslumbramento do parecer no momento, as horas ébrias do bem que é fazer de conta poderão ser veículo para esquecimento da IDENTIDADE.
Despidos de cargos, funções, poderes, quem é quem?
Se calhar, mais que ser lembrado pelo que fazia, agrada-me o reconhecimento do que SOU, (mesmo com todas as imperfeições).
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Afonso Faria
em
12:09
quarta-feira, outubro 10
e aqui, também...
Gaveta:
meus olhares...
Há muito que deixei de ansiar castelos e rios que não tenho, busco o aqui e o momento!
Em névoa, imponente, majestoso em tranquilina solidão, despido de velas, em descanso, colhe a energia quente, uma benção para os velhos mecanismos .
E eu deixo-me ficar maravilhado!
Este é um dos meus castelos, o MOINHO.
Será esta uma manifestação de PAZ?
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Afonso Faria
em
12:25
sexta-feira, outubro 5
pequeno almoço (em grande)
Gaveta:
meus olhares...
Como posso não ter um bom dia? Este é o cenário que me entra na alma aquando o pequeno almoço.
Tenho sorte! Mas também estou atento, disponível!
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Afonso Faria
em
19:19
5 de Outubro
Em directo, as transmissões das cerimónias, no largo do município, em Lisboa!
É o calendário, os senhores meninos divertem-se. A fanfarra, as fardas, os sorrisos, cumprimentos, coloridas (muitas cinzentas) vestes, o Hino! Enternecedor o movimento sincronizado do içar da Bandeira Nacional a quatro mãos, Cavaco Silva e António Costa! Tanta perfeição só com muitas horas de treino! Palmas, palminhas, que bem que foram!
Colares, bijutarias, palavras, palavras, muitas, bla, bla, bla. Eis as soluções!!! Bravo! E as apresentadas no ano passado, no anterior e no outro? Novos recados, obrigado Sr. Presidente pelo convite!
Comemoração da Implantação da República, pública, no exterior, para todos. Todos quem? Onde estão os outros os apelidados de sociedade civil, ou “ZÉ”?
Uma questão de cidadania, insinua-se, uma tremenda afirmação de não querer brincar com os meninos neste jogo, digo eu.
Um exagero é claro, mas tanta pompa, tanta solenidade perante tamanha multidão, fez-me lembrar a cena do sermão de Stº António aos peixes!
PS. A fanfarra foi sonoramente imponente. Gosto muito dos pára- raios dos capacetes da guarda, o ar embevecido dos meninos aquando o desfile. Para o ano se se portarem bem...há mais!
É o calendário, os senhores meninos divertem-se. A fanfarra, as fardas, os sorrisos, cumprimentos, coloridas (muitas cinzentas) vestes, o Hino! Enternecedor o movimento sincronizado do içar da Bandeira Nacional a quatro mãos, Cavaco Silva e António Costa! Tanta perfeição só com muitas horas de treino! Palmas, palminhas, que bem que foram!
Colares, bijutarias, palavras, palavras, muitas, bla, bla, bla. Eis as soluções!!! Bravo! E as apresentadas no ano passado, no anterior e no outro? Novos recados, obrigado Sr. Presidente pelo convite!
Comemoração da Implantação da República, pública, no exterior, para todos. Todos quem? Onde estão os outros os apelidados de sociedade civil, ou “ZÉ”?
Uma questão de cidadania, insinua-se, uma tremenda afirmação de não querer brincar com os meninos neste jogo, digo eu.
Um exagero é claro, mas tanta pompa, tanta solenidade perante tamanha multidão, fez-me lembrar a cena do sermão de Stº António aos peixes!
PS. A fanfarra foi sonoramente imponente. Gosto muito dos pára- raios dos capacetes da guarda, o ar embevecido dos meninos aquando o desfile. Para o ano se se portarem bem...há mais!
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Afonso Faria
em
11:45
terça-feira, outubro 2
terça-feira, setembro 25
Um fenómeno da natureza!
Coisas da natureza, fenómenos!
Um raio, simples raio, que energia, que poder!
Há cerca de dez dias, caiu um, em minha casa.
Não destruiu todas as paredes, não explodiu todas as lâmpadas, não queimou todos os electrodomésticos, não danificou todas as fichas eléctricas e interruptores.
Às escuras, sem comunicação, voz ou dados!
E que mais?
Só isto, não há “ses” nem outra cor ou dimensão!
Que positivo? Sei lá, o ser actor (secundário) nesta cena!
Recurso? Uma Wireless pública de uma Autarquia.
Em breve tudo voltará à normalidade!
Ficou a vivência na primeira pessoa!
Um raio, simples raio, que energia, que poder!
Há cerca de dez dias, caiu um, em minha casa.
Não destruiu todas as paredes, não explodiu todas as lâmpadas, não queimou todos os electrodomésticos, não danificou todas as fichas eléctricas e interruptores.
Às escuras, sem comunicação, voz ou dados!
E que mais?
Só isto, não há “ses” nem outra cor ou dimensão!
Que positivo? Sei lá, o ser actor (secundário) nesta cena!
Recurso? Uma Wireless pública de uma Autarquia.
Em breve tudo voltará à normalidade!
Ficou a vivência na primeira pessoa!
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Afonso Faria
em
15:36
segunda-feira, setembro 24
sexta-feira, setembro 14
em passeio matinal
Saí, ainda nem sete eram, entrei numa campânula Os meus passos, por mais rápidos que fossem não levavam os olhos para além de 10 metros. Nevoeiro e silêncio.
Iniciei a minha caminhada com os meus companheiros de jornada.
Ela, loira, esbelta, olho castanho. Talvez setenta anos de cão, mistura de podengo e perdigueiro, há 11 anos quase a morrer “chorando” à minha porta, doente, esfomeada, pele e osso! Skiny, pois claro, tinha que ser baptizada. E como nas histórias do maravilhoso, hoje coroada de princesa.
Ele, talvez cinco meses de puro vira latas, recolhido em plena estrada, muita carraça e pulga, pouca carne, nenhum músculo. Luky, pois claro, é o nome. Olhar meigo, (diz a minha filha que ele é vesgo), reposto o estômago à custa de muita ração, vitaminas e carinho, parece que se faz um cão interessante, se me é permitido entender as apreciações caninas.Trapalhão, tal como todos os cachorros, corre porque corre, corre porque vê correr, corre porque sim, e porque não havia de correr? Morde tudo e ainda perde dentes!
Com estas companhias, avanço transportando o limite sempre mutante da parede de nevoeiro. 10 metros, talvez nem tanto. Para onde foram as ramagens, os troncos frondosos que me costumam acolher? Só estes, neste perímetro.
E as pedras de cortes e formas que me estimulam a criatividade por analogia? Não mais que estas, neste raio.
E o meu Sol?
Reparo que à medida que avanço, reconheço o trilho, mas apago sempre algo para trás. A névoa intensa, esconde o antes, o que há-de vir. Só eu, os meus cães, o Universo do alcance da minha vista, o momento.
Estendo a mão, cuidadosamente. Ali, negra, húmida de orvalho, fresca. Gulosamente transporto-me a outras memórias, tantos anos. Não há nevoeiro que me impeça, me limite. Continuam deliciosas, as amoras silvestres, quão agrestes as silvas!
Um surdo ruído prolongado.Um avião vai, vem… passa. Não o vejo. Polui o momento, rasga o silêncio! Parece que as partículas densas prolongam o som. Intenso.
Retomo a minha vereda impregnada de cores, baços verdes luzidios, castanhos molhados, amarelos em pétalas selvagens, bagas escarlate.
Odores, tenras folhas de eucaliptos, a terra que se liberta do sereno da noite, hortelã bravia, outros!
Enchi os pulmões da minha alma, em pleno.
Bom dia!
Iniciei a minha caminhada com os meus companheiros de jornada.
Ela, loira, esbelta, olho castanho. Talvez setenta anos de cão, mistura de podengo e perdigueiro, há 11 anos quase a morrer “chorando” à minha porta, doente, esfomeada, pele e osso! Skiny, pois claro, tinha que ser baptizada. E como nas histórias do maravilhoso, hoje coroada de princesa.
Ele, talvez cinco meses de puro vira latas, recolhido em plena estrada, muita carraça e pulga, pouca carne, nenhum músculo. Luky, pois claro, é o nome. Olhar meigo, (diz a minha filha que ele é vesgo), reposto o estômago à custa de muita ração, vitaminas e carinho, parece que se faz um cão interessante, se me é permitido entender as apreciações caninas.Trapalhão, tal como todos os cachorros, corre porque corre, corre porque vê correr, corre porque sim, e porque não havia de correr? Morde tudo e ainda perde dentes!
Com estas companhias, avanço transportando o limite sempre mutante da parede de nevoeiro. 10 metros, talvez nem tanto. Para onde foram as ramagens, os troncos frondosos que me costumam acolher? Só estes, neste perímetro.
E as pedras de cortes e formas que me estimulam a criatividade por analogia? Não mais que estas, neste raio.
E o meu Sol?
Reparo que à medida que avanço, reconheço o trilho, mas apago sempre algo para trás. A névoa intensa, esconde o antes, o que há-de vir. Só eu, os meus cães, o Universo do alcance da minha vista, o momento.
Estendo a mão, cuidadosamente. Ali, negra, húmida de orvalho, fresca. Gulosamente transporto-me a outras memórias, tantos anos. Não há nevoeiro que me impeça, me limite. Continuam deliciosas, as amoras silvestres, quão agrestes as silvas!
Um surdo ruído prolongado.Um avião vai, vem… passa. Não o vejo. Polui o momento, rasga o silêncio! Parece que as partículas densas prolongam o som. Intenso.
Retomo a minha vereda impregnada de cores, baços verdes luzidios, castanhos molhados, amarelos em pétalas selvagens, bagas escarlate.
Odores, tenras folhas de eucaliptos, a terra que se liberta do sereno da noite, hortelã bravia, outros!
Enchi os pulmões da minha alma, em pleno.
Bom dia!
Publicada por
Afonso Faria
em
18:15
quinta-feira, setembro 13
terça-feira, setembro 11
porque há memória!
Gaveta:
...do baú das recordações

Carrossel
Uma neblina permanente turva-me o olhar, um frio cortante invade-me a alma. Caminho, vagueio, em movimentos mecânicos, sem rumo, nem destino, sem querer. Caminho, caminho, alheio a tudo e a todos, marchando ao som dos meus próprios passos. O relógio marca-me os tempos das tarefas, e como robot, executo-as. Ainda me empenho, procuro a eficácia mas sem alegria. Sinto-me vazio, árido, animicamente enlutado.
Tal como actor de um carnaval de Veneza, assumo a máscara e movimento-me. Inexpressivo mas sempre procurando estar em cena. Alheio, deixo-me levar pelos aplausos ou pateadas. Não me impressiona o efeito. Neste momento é preciso e urgente estar em cena independentemente da impressão causada no público.
Somo horas, dias, e tudo é igual. A rotina domina-me e não há desejo de inovação que me estimule. Aguardo as circunstâncias e que elas me encaminhem para qualquer estado. Sem vontade crítica, executo, executo, não questiono , nem inovo.
Tempo, mais tempo, as horas passam-se e nem me importo se tarde ou cedo. Calcorreio um trajecto já traçado, e nem me interessa onde me conduz a rota. Avanço quando me ordenam, paro quando não tenho obrigatoriedade.
Onde pára a minha iniciativa, a entrega e o desejo da diferença?
Já não vale a pena! Dia após dia subjugam-me os ponteiros do relógio. Dia, noite, noite, dia, o carrossel rodopia, rodopia, ora alto, ora baixo e deixo-me levar pelos movimentos repetitivos que não conduzem a lado nenhum.
O rom-rom das máquinas sobrepõem-se à música em altos tons difundida, e não encontro razões para o deslumbramento das crianças empoleiradas nas girafas ou cavalinhos de madeira. É só um carrossel, uma giratória máquina estúpida, que roda, roda, sempre em movimentos repetitivos sem destino que não seja a paragem. Que me importa que ande ou pare! Sou um mero passageiro de um redondel sem finalidade. Até o homem que gere o carrossel pode abandonar os comandos, pois sabe que nunca ficará sem a sua máquina. Não há fuga para o carrossel.
Um vazio, um alheamento total. As pessoas, as circunstâncias, as pessoas, as pessoas, as pessoas!
Que futuro, que objectivos? Não há futuro quando não se vive o dia a dia em paz, ou o futuro é o dia a dia, o minuto que se vive.
Máscara misto de hipocrisia feita carnaval social, até quando serei capaz de a assumir?
O céu tem sempre a mesma cor, tal como o rosto e expressão daqueles que me rodeiam. Tela cinzenta, sem estrelas ou luares românticos, rostos de sorrisos que me incomodam por expressões de alegria ou felicidade que não sou capaz se assimilar.
Serei só eu o hipócrita ou a hipocrisia é um valor definitivamente assumido no mundo que me rodeia e eu ainda não o atingi em pleno?
Uma neblina permanente turva-me o olhar, um frio cortante invade-me a alma. Caminho, vagueio, em movimentos mecânicos, sem rumo, nem destino, sem querer. Caminho, caminho, alheio a tudo e a todos, marchando ao som dos meus próprios passos. O relógio marca-me os tempos das tarefas, e como robot, executo-as. Ainda me empenho, procuro a eficácia mas sem alegria. Sinto-me vazio, árido, animicamente enlutado.
Tal como actor de um carnaval de Veneza, assumo a máscara e movimento-me. Inexpressivo mas sempre procurando estar em cena. Alheio, deixo-me levar pelos aplausos ou pateadas. Não me impressiona o efeito. Neste momento é preciso e urgente estar em cena independentemente da impressão causada no público.
Somo horas, dias, e tudo é igual. A rotina domina-me e não há desejo de inovação que me estimule. Aguardo as circunstâncias e que elas me encaminhem para qualquer estado. Sem vontade crítica, executo, executo, não questiono , nem inovo.
Tempo, mais tempo, as horas passam-se e nem me importo se tarde ou cedo. Calcorreio um trajecto já traçado, e nem me interessa onde me conduz a rota. Avanço quando me ordenam, paro quando não tenho obrigatoriedade.
Onde pára a minha iniciativa, a entrega e o desejo da diferença?
Já não vale a pena! Dia após dia subjugam-me os ponteiros do relógio. Dia, noite, noite, dia, o carrossel rodopia, rodopia, ora alto, ora baixo e deixo-me levar pelos movimentos repetitivos que não conduzem a lado nenhum.
O rom-rom das máquinas sobrepõem-se à música em altos tons difundida, e não encontro razões para o deslumbramento das crianças empoleiradas nas girafas ou cavalinhos de madeira. É só um carrossel, uma giratória máquina estúpida, que roda, roda, sempre em movimentos repetitivos sem destino que não seja a paragem. Que me importa que ande ou pare! Sou um mero passageiro de um redondel sem finalidade. Até o homem que gere o carrossel pode abandonar os comandos, pois sabe que nunca ficará sem a sua máquina. Não há fuga para o carrossel.
Um vazio, um alheamento total. As pessoas, as circunstâncias, as pessoas, as pessoas, as pessoas!
Que futuro, que objectivos? Não há futuro quando não se vive o dia a dia em paz, ou o futuro é o dia a dia, o minuto que se vive.
Máscara misto de hipocrisia feita carnaval social, até quando serei capaz de a assumir?
O céu tem sempre a mesma cor, tal como o rosto e expressão daqueles que me rodeiam. Tela cinzenta, sem estrelas ou luares românticos, rostos de sorrisos que me incomodam por expressões de alegria ou felicidade que não sou capaz se assimilar.
Serei só eu o hipócrita ou a hipocrisia é um valor definitivamente assumido no mundo que me rodeia e eu ainda não o atingi em pleno?
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Afonso Faria
em
11:58
quarta-feira, setembro 5
Reconhecimento de competencias!
É O QUE O PAÍS PRECISA!
Algo de extraordinário se anunciava pela voz do 1º Ministro!
O país parou, aquela declaração anunciava que algo se tinha descoberto!
Afinal, pomposamente distribuía, José Sócrates diplomas de certificações de competências, em Évora!
É isto que precisamos realmente?
Para quem de vida não tem memória de muitos anos passados, conto:
Há mais de meio século, não tendo professores para a exigência demográfica do momento, o governo de SALAZAR criou a figura de “REGENTE”, esses agentes da educação que deslocados em recônditos lugares proporcionavam o ingresso ao conhecimento dos números e letras. Muitos dos actores da ribalta do momento tiveram como iniciadores agentes do conhecimento essas personagens, dedicadas, extraordinárias!
Uns anos mais tarde, lembram-se, as auxiliares de enfermagem foram convertidas em enfermeiras!
Também os Monitores de Educação física foram reconvertidos em Professores de Educação Física!
O homem conduz (sem permissão há 20 anos): Reconheçamo-lo competência em duas horas!
A este cenário de uma espécie de sociedade, um faz de conta no nosso dia a dia, vem o Sr. PRIMEIRO MINISTRO dar o seu douto aval É ISTO QUE O PAÍS PRECISA!
Que falta de imaginação, passados tantos anos!
Conheço um senhor que sabe ler plantas, interpretar armações de ferro, ligar percentagens de cimento areia e cascalho! Não será de reconhecê-lo como Engenheiro Civil? (não sabe Inglês, mas isso é pormenor de somenos importância)
E aquele homem que endireita ossos, afugenta dores, dá tranquilidade aos pacientes, reconhecidamente? Não será de reconhecê-lo como de Ortopedista competente?
Abandono escolar? Não se preocupem! Em dois meses reconhecemos competências, dizem os novos mentores!
É isto que o país precisa!
Não me identifico com este faz de conta.
Tristeza!
Há que ter verdade, ser verdade. Os números, sempre os números, as estatísticas!
Um dia, não me compete dizer quando, algo se modificará neste mundo faz de conta.
Um dia, veremos o quanto, o quê, identificaremos todo o ruído e seus agentes!
E permaneceremos em afirmação!
Algo de extraordinário se anunciava pela voz do 1º Ministro!
O país parou, aquela declaração anunciava que algo se tinha descoberto!
Afinal, pomposamente distribuía, José Sócrates diplomas de certificações de competências, em Évora!
É isto que precisamos realmente?
Para quem de vida não tem memória de muitos anos passados, conto:
Há mais de meio século, não tendo professores para a exigência demográfica do momento, o governo de SALAZAR criou a figura de “REGENTE”, esses agentes da educação que deslocados em recônditos lugares proporcionavam o ingresso ao conhecimento dos números e letras. Muitos dos actores da ribalta do momento tiveram como iniciadores agentes do conhecimento essas personagens, dedicadas, extraordinárias!
Uns anos mais tarde, lembram-se, as auxiliares de enfermagem foram convertidas em enfermeiras!
Também os Monitores de Educação física foram reconvertidos em Professores de Educação Física!
O homem conduz (sem permissão há 20 anos): Reconheçamo-lo competência em duas horas!
A este cenário de uma espécie de sociedade, um faz de conta no nosso dia a dia, vem o Sr. PRIMEIRO MINISTRO dar o seu douto aval É ISTO QUE O PAÍS PRECISA!
Que falta de imaginação, passados tantos anos!
Conheço um senhor que sabe ler plantas, interpretar armações de ferro, ligar percentagens de cimento areia e cascalho! Não será de reconhecê-lo como Engenheiro Civil? (não sabe Inglês, mas isso é pormenor de somenos importância)
E aquele homem que endireita ossos, afugenta dores, dá tranquilidade aos pacientes, reconhecidamente? Não será de reconhecê-lo como de Ortopedista competente?
Abandono escolar? Não se preocupem! Em dois meses reconhecemos competências, dizem os novos mentores!
É isto que o país precisa!
Não me identifico com este faz de conta.
Tristeza!
Há que ter verdade, ser verdade. Os números, sempre os números, as estatísticas!
Um dia, não me compete dizer quando, algo se modificará neste mundo faz de conta.
Um dia, veremos o quanto, o quê, identificaremos todo o ruído e seus agentes!
E permaneceremos em afirmação!
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Afonso Faria
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16:34
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