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Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

sexta-feira, abril 29

Que chatice...

Há dias alguém dizia que os velhos quando estão sós descuram a sua alimentação. Acho que têm alguma razão!
Pela manhã, pouco passava das sete, sacrificava-me com prazer fardado a rigor pois até já tenho nº de aplicador, sulfatando a vinha...
A meio da manhã, banho tomado, havia que providenciar o almoço, comprar algo que o meu fastio de velho solitário tolerasse.
Que chatice tanto peixe...
Duas sardas, pedi que me escalassem...
Para um pirex, muito chateado piquei uns alhos, sumo de limão, sal, pimenta e um pouco de orégão. Esperar duas horas em marinada...que chatice!
Foi com sacrifício que acendi o lume, gravetos de videira acumulados para estes momentos chatos, um lume brando e uniforme.
Colocados os peixes na grelha, vira de um lado, vira do outro, no ponto!
Claro que esta chatice tinha que ter acompanhamento. Duas batatas cozidas (por acaso até foram semeadas e colhidas por mim), duas folhas de alface, uma beterraba anã. Não tinha pachorra para mais, confesso.
Tinto, para mim sempre tinto, de preferência das uvas que cuidei, do vinho que vi fermentar.
Um café.
Concordo, quando se está só e se é velho não há pachorra para cozinhar...haja estas coisinhas simples e rápidas!
Que chatice!

quinta-feira, fevereiro 25

quinta-feira, janeiro 28

A beleza de um manto



Quase do mesmo ângulo, hora diferente...
Nada é igual amanhã.
Tempo de sol, tempo de chuva, o único desafio permanente, a disponibilidade para aceitar...



“Há tempo de nascer, e tempo de morrer; há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar. Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Há tempo de amar e de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.”

sábado, janeiro 16

BOM DIA!

Até podia ter ficado por algum tempo mais nos braços de morfeu...

Podia, tal como tantas outras coisas, uma questão de escolhas.

Bom dia, gritaram-me as aves, as folhas, os campos, estes raios de sol em formação!
Bom dia, lindo!

Demasiado belo para ficar indiferente!

quinta-feira, janeiro 7

Devolução de cauções


Não me parece sério o processo de devolução de cauções. Querem ver?
Vou-vos contar passo a passo um caso, em concreto no Concelho de Alenquer.
"A", septuagenário, reside numa das freguesias de Alenquer, numa aldeia que nem serviços de transportes públicos tem. Ouviu falar da devolução das cauções da água.
Duas hipóteses: ou vai directamente à sede do concelho ou pede a alguém que trate por internet.
Nas duas tem que preencher um formulário com toda a identificação, contrato e local de consumo, atesta que é o próprio e requer que lhe seja passado pelos serviços camarários uma declaração comprovativa do direito à devolução de caução.
Um funcionário da autarquia emite uma declaração em nome da Directora do Departamento Administrativo e Financeiro da Câmara Municipal a atestar que o munícipe em causa tem direito à devolução da caução, e o valor respectivo.
Com esta declaração o contribuinte tem que entrar em contacto com a Direcção Geral do Consumidor, em Lisboa, e correctamente identificado solicitar que lhe seja devolvida a caução que lhe é devida.
Imaginem os passos, os gastos de dinheiro, tempo, burocracia.
Se é devido, se o consumidor ainda está vivo e a pagar a sua mensalidade dos serviços, se se chega à conclusão que se deve devolver, porque tanta dificuldade?Porque não fazer encontro de contas?
Nota: O Munícipe em questão deveria receber 0,45€. Que acha que vai acontecer? Claro, tanto trabalho, tanta volta...não vale a pena!!!
Transparência, defesa do consumidor, onde?

quinta-feira, dezembro 31

V I D A

Mais que tudo que seja um ano de respeito pela vida!
De Harmonia!
Solidário!
De Paz!
De Justiça!
De Fraternidade!

Obs. Nada acontece com os "votos de...". Todos temos de ser parte activa dia a dia nessa "luta".

sábado, dezembro 26

O Correio Madrugador estava lá...





O congresso foi marcado há já algum tempo. Os membros vestidos a rigor, não de avental mas de babete, óculos e pires, afirmavam a sua convicção igualitária.
Fez-se silêncio.
Os trabalhos nem sequer começaram. Palavra para a direita, olhares para a esquerda, ficaram de trombas, a conversa azedou!
O repórter estava lá!

terça-feira, dezembro 22

Mesmo ao fim do dia...

Mesmo ao fim do dia há carros...
Isso mesmo, o fundamental era a luz, o momento. Captei-o mecanicamente para a partilha do que eu absorvia.
As máquinas servem para isso, para a partilha.

sábado, outubro 31

2º CIRCULAR

Que chatice, chove, o trânsito...
Estou, sem pressa, saí cedo, não farei esperar ninguém...
Que chatice?
Que chatice seria não ver...
O trânsito será igual, o momento...não.
Disfrutem!!!



quarta-feira, outubro 28

Cheira a Outono

Gosto do Tejo ao fim do dia...
Chegam, partem navios, com eles meus pensamentos mais claros uns, enublados outros mas todos sem grilhetas, livres, imensos e intensos.
O Outono dá-me serenidade.

quinta-feira, agosto 20

Vida e Morte


Um notícia como tantas ou talvez não.
Jimmy Carter, ex presidente dos Estados Unidos, com a bonita idade de noventa anos, anunciou que o cancro que o tomava há algum tempo no fígado ramificava-se ao seu cérebro.
Logo aquando a introdução da notícia pelo jornalista de serviço, pensei que a “besta” uma vez mais não fizera distinção, apossara-se de um poderoso.
Depois fiquei deveras impressionado com a tranquilidade daquele homem, o brilho apaziguador do olhar, um sorriso sereno.
A imagem fez-me recuar uns meses.
Maria Barroso, pessoa por quem não nutria particular simpatia, participava num congresso tendo por tema, "velhos".
Surpreendeu-me. Fraca figura em cima do palco, recitava de memória um poema longo, enorme na sua força, poderoso no seu conteúdo, transcendera-se, agigantara-se. Assim terminou a sua participação.
Fiquei na altura com “pele de galinha”, rendi-me.
Antes em suas palavras deixara-me também aquela tranquilidade que vi em Jimmy Carter. Viveu muito, dizia, a qualquer momento chegaria a sua vez. Esperava tranquilamente a sua hora. Senti convicção, paz.
Num e noutro uma coisa comum, o que chamam de Fé!
Na brincadeira costumo dizer que apresentei a minha candidatura para o clube dos velhos, dos sábios...que tanto caminho me falta percorrer para tamanha harmonia e pacificação com a vida, com a morte!
O caminho é esse.

terça-feira, julho 21

Introspecção à volta de um telemóvel


Desta vez é que foi!

Uma vida intensa, quedas na estrada, esquecimentos em todos os lados, tortura no frio de um frigorífico, “prisão” na Gnr, houve sempre um regresso! Desta vez não. Uma simples rampa de uma garagem, uma queda, talvez um acidental pneu destruidor...foi-se!

Claro que me estou a referir ao meu “lendário” e cúmplice telemóvel.

Curioso que assumo que a perda não foi grande. Confesso que serviu para reflectir. Um tanto desconfortável perder os contactos registados no cartão. Por outro lado a “higienização” da relação. Não gosto de telemóveis e só em em último caso faço uso.

Como uma vez escrevi, há tempos fiz uma purga de contactos que residiam no cartão. Residiam mas não passavam disso!

Mas mantive alguns outros. Porquê? “Vaidadezinhas”. Num ou noutro episódio da minha vida contracenei com pessoas chamadas de figuras públicas, da política, do espectáculo, dos media ou mesmo detentores de poder. Mantinha os contactos que se justificaram em determinada altura. Tenho a certeza que teria de explicar-me muito para que me reconhecessem caso lhes ligasse. Mas mantinha o contacto por “vaidadezinha”, como disse.(ui, ui, sou humano e mortal!!!)

Foram-se, esses e os mais próximos. Involuntariamente houve um salutar “reset”!

Desta situação que ponto positivo extraio?

A distância de uma relação que estabeleço é igual à que estabelecem comigo. Solicitei segunda via do meu cartão. Está vazio. Só tenho os números da minha família próxima, porque os introduzi.

Não ligo, é verdade, pouco ligava. Se avaliasse a minha sociabilização pelo volume de chamadas de telemóvel que recebo ou faço acho que corria ao “psi”. UFF!!!
PS. Já movi algumas influências para obter um telemóvel igual! Gosto, é-me suficente e o meu carro reconhece o BT! :)

terça-feira, julho 7

Resgate

"Não podem cortar o verão/ nem o azul que mora/ aqui/ não podem cortar quem somos"


Resgate

Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa.

Por isso podem cortar
punir
tirar a música às vogais
recrutar quem os sirva
não podem cortar o verão
nem o azul que mora
aqui
não podem cortar quem somos.

Águeda 23/12/2012
Manuel Alegre

segunda-feira, maio 18

À deriva (mas pouco) de novo





Desta vez fui mais longe!
Também por lá  passara há muitos anos, ainda os meus filhos eram crianças.
O “pseudo” motivo foi a quinzena gastronómica...
Curioso como os nossos olhos abordam as realidades, as mesmas, de forma diferente, curioso como os pormenores são “pormaiores”. A diferença? A idade, a circunstância, o tempo de abordagem, a disponibilidade.
Embarcar calmamente nesta pequena aventura cheia de história e beleza foi um prazer. Em catadupas as imagens panorâmicas surpreendem-nos, os simples e elementares contornos enternecem-nos.
Foi-me gratificante ver o esforço de preservação, a preocupação na documentação do percurso da história.
Agradou-me o asseio das ruas, a preocupação da manutenção do casario.
Gostei de ver a forma hospitaleira de acolhimento ao forasteiro.
 Marvão foi o meu destino.
Valeu!


sábado, maio 9

À deriva (mas pouco)


Há anos que lá não ia.
Despreocupadamente, meti o carro a caminho nesta soalheira tarde de sábado. Pela estrada centenas de peregrinos, nem sempre caminhantes segundo as regras, a caminho de Fátima. Não consigo entender o que os move, estranho compromisso, testemunho. Por não entender, não participo e basta...
Chegámos.
Ex-libris da cidade, miradouro de imponentes paisagens, lavagem de olhares derramados sem limites, Portas do Sol.
Os jardins estão quase desprezados, os palanques em processo de degeneração, quase ao abandono.
Compensa-nos a magia do quadro, as cores, a imensidão. Perto, o Tejo espreguiça-se tão suave, quase dormente bem limitado pelas margens e bancos de areia dourada. A água é azul, verde, negra, espelhada em todas as cores...
E os verdes? Tantos, imensos, salpicados de casarios, alvas paredes, vermelhos telhados. Telas, imagem de vida em cada sulco de arados.
Há anos que lá não ia...
Gostei!
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