O botão "OFF", eram 21H 18M, funcionou na perfeição após "zapping".
Nem no canal Hollywood sou capaz de ver duas vezes o mesmo filme, ainda mais de terror!
Acerca de mim
- Afonso Faria
- Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!
quinta-feira, março 28
domingo, março 17
Terapias de pequenos nadas!
Às
vezes somos agradavelmente surpreendidos numa estrada desconhecida.
Aconteceu-me!
Prendi-me
com a beleza do miradouro, muito antes de o desfrutar!
Apelativo
enquadramento, as rochas, as mesas, os assentos, a pérgola...
Depois,
o contraste de cores...
Não
precisaria debruçar a vista no infinito...
A
tranquilidade do encanto havia já sido conseguida!
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Afonso Faria
em
22:38
domingo, março 10
Duas rãs numa taça de natas
Era
uma vez duas rãs que caíram numa taça de natas.
Rapidamente
se aperceberam de que estavam a afundar-se: era impossível nadar ou
flutuar durante muito tempo na massa espessa como areias movediças.
No início, as duas rãs tentaram bater as patitas para chegarem à
borda do recipiente. Mas era inútil; por mais que se mexessem, não
saíam do mesmo lugar e estavam cada vez mais atoladas. Sentiam uma
dificuldade crescente em vir à superfície respirar.
Uma
delas disse em voz alta:
- Já
não aguento mais. É impossível sair daqui. Não se consegue nadar
nesta pasta. Já que vou morrer, não vejo de que serve prolongar
este sofrimento.Não faz sentido morrer cansada por causa de um
esforço inútil.
Dito
isto, deixou de bater com as patitas e afundou-se rapidamente,
engolida pelo espesso líquido branco.
A
outra rã, mais persistente ou talvez mais casmurra, disse de si para
si mesma.
- É
escusado! Não consigo avançar nesta pasta. No entanto, se vou
morrer, prefiro lutar até ao meu último fôlego. Não quero morrer
um segundo que seja antes da minha hora.
Continuou
a dar às patas e a chapinhar sempre no mesmo lugar, sem avançar um
um centímetro sequer, durante horas e horas.
E
de repente, de tanto bater com as patas e com as coxas, de tanto
mexer e remexer, a nata transformou-se em manteiga.
Surpreendida,
a rã deu um salto e, patinando, chegou à borda do recipiente. Daí,
pôde regressar a casa, coaxando alegremente.
Jorge
Bucay
"deixa-me
que te conte"
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Afonso Faria
em
11:09
quarta-feira, fevereiro 13
Um pequeno relato
"Tanta fartura que tão tarde chegas", foi o comentário de um "meu" sénior octogenário ao se deslumbrar com uma simples pesquisa na net.
Dizia-me que já não tinha cabeça, ou melhor ela estava lá, - a bola - mas que já para quase nada servia...
Lamentava ter vindo tão tarde...
Que se eu assim achasse, dava lugar a outro...
Creio que fui claro ao lhe explicar que o lugar dele ninguém podia ocupar, ele existia, tinha o mesmo direito que um outro, estava ali e eu não desistia dele.
Dos olhos cansados mas ainda vivos, uma lágrima verteu, um misto de comprometimento e agradecimento...
É isto que me move!
Tanta gente moldada a não ter direitos, tanta gente pronta a se anular porque assim foi, assim julga poder continuar ser...
Recuso-me a aceitar, luto!
Publicada por
Afonso Faria
em
17:01
sexta-feira, fevereiro 8
Desistir
Estou triste!
Ontem, um vizinho amigo suicidou-se, desistiu da caminhada VIDA. Ainda caminhava acompanhado por um cancro mas já o deixava para trás.
Todos os dias ouvimos aqui ou ali notícias de episódios semelhantes. São episódios distantes, pelo não conhecimento dos actores. Por vezes esquecemos que há sempre uma família, amigos, conhecidos...
Nunca tivera esta experiência. Dói!
Esta sensação de vazio, o nunca mais partilhar a mesa, o sofá de longas conversas, por uma opção deste tipo, vem e vai, martela-me as meninges num latejar de alma, prende-me.
Não sei de todo o que o levou a fazer isso. Quem sabe? Também não sou homem de palpites. Se o fosse e bons, todas as semanas acertava no euro milhões...
E que importa agora?
Procuro retirar em todas as ocasiões, boas ou más, uma lição.
Desta, penso que cada vez mais tenho que estar mais atento, estar mais presente.
As Pessoas, cada vez mais as Pessoas, merda para esse monstro sem rosto chamado Mercado!
Há ténues "leds" de sinalização que só são percetíveis pela proximidade, não só a circunstancial.
Se calhar eu também não os soube interpretar...
Sem culpas mas saudavelmente triste!
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Afonso Faria
em
09:01
sexta-feira, janeiro 18
"Resgate", poema de Manuel Alegre
Resgate
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa.
Por isso podem cortar
punir
tirar a música às vogais
recrutar quem vos sirva
não podem cortar o verão
nem o azul que mora
aqui
não podem cortar quem somos.
Águeda 23/12/2012
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa.
Por isso podem cortar
punir
tirar a música às vogais
recrutar quem vos sirva
não podem cortar o verão
nem o azul que mora
aqui
não podem cortar quem somos.
Águeda 23/12/2012
Manuel Alegre
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Afonso Faria
em
06:30
sexta-feira, dezembro 28
Noite
Nada convidativa, em princípio!
Escuro, sempre igual, não é?
Afagado pelo frio deixei-me envolver pela silenciosa serenidade deste colorido.
Escuro, sempre igual, não é?
Afagado pelo frio deixei-me envolver pela silenciosa serenidade deste colorido.
Efeitos? Principalmente os sentidos, interiorizados quase tão fieis como as imagens.
Uma Paz imensa!
2013 será só o que nós vivermos.
INTENSAMENTE, assim o desejo
Publicada por
Afonso Faria
em
23:15
domingo, dezembro 23
Carta ao Pai Natal
Um amigo fez-me chegar, vindo de outro e provavelmente de outro, esta "carta ao pai Natal".
Li, e há coisas que quereria ter sido eu a escrever.
Partiho!
E já agora, Bom Natal, seja lá isso o que for.
Arrisco desejar-vos saúde, para o próximo ano civil, sem correr o "risco" de troca por desmedida!
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Afonso Faria
em
11:57
sexta-feira, dezembro 21
Hipnose
Não sei como se chama mas assim como fiquei parado quando a vi ao vivo, sempre que retomo a foto não consigo desviar o olhar.
Da imagem emana tranquilidade, poder, estimula-me a criatividade, a imaginação, navego, construo.
Coisas simples, no meu Universo!
Partilho.
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Afonso Faria
em
10:23
domingo, dezembro 16
Comemorar, não "fazer" anos!
Hoje é um dia especial, o primeiro do meu ano novo.
São sessenta e três! Poucos, dir-me-á o meu aluno mais sénior na sua cátedra dos oitenta, muitos o mais novo, na casa dos vinte.
Não lhe dava...oiço frequentemente.
Não quero que me dêem, nem que me tirem. Estou bem assim, sinto-me bem assim.
À hora que coloco este apontamento, ainda o sol dorme, uma maravilhosa manhã fria, chuvosa me acolhe ao abrir a janela. Que bom sentir-me envolto neste silêncio, que bom acordar, inalar a frescura sentir-me vivo.
Intensamente, momento a momento tem sido o meu objectivo de vida, aqui, ali, onde me der GOZO, se com compromisso!
Parte de uma cadeia, fio de uma tapeçaria, importante no acto do momento, se com compromisso!
E este compromisso assumido é em primeiro lugar comigo. Estou empenhado em fazer-me, sentir-me feliz!
Bom ano para mim, que consiga cada vez mais sentir-me elo desta corrente chamada VIDA!
Publicada por
Afonso Faria
em
06:39
sexta-feira, novembro 23
Relato um estudo científico
Terça feira cheguei a casa após dia intenso de actividade e emoções.
Abri a porta, nas mãos, em exercício de equilíbrio, a pasta com documentos, o telemóvel, um saco de compras, mercearias e outros produtos de charcutaria.
Porta aberta, as já habituais festas de boas vindas do meu amigo de quatro patas, Lucky, a me dificultar ainda mais os movimentos. Quem tem um cão, sabe como é...
Na quarta, a caminho de mais um dia de actividade, notei que não tinha o telemóvel. Habitual, sabem as pessoas que me conhecem...ou está desligado ou fica "por aí".
Ao fim do dia, procurei-o. Não o encontrei nos sítios onde se costuma refugiar. Peguei no fixo e percorri a casa à espera de o ouvir. Demorou até que chegando à cozinha descobri um som abafado. Apurei o ouvido...abri a porta.
Lá estava. O frio não lhe tolhera o mecanismo, fresquinho, congelara seis chamadas durante o dia!
Deste episódio cientificamente posso atestar:
- os telemóveis não se alimentam de queijo,
- há rede dentro do meu frigorífico (parabéns à TMN),
- o telemóvel não se queixa de claustrofobia.
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Afonso Faria
em
21:47
domingo, novembro 18
Outono
![]() |
| Um dia de Outono |
Existe? Claro que sim.
Quero continuar a ver, procuro e aceito.
Um dia um amigo dizia-me que se vê sempre, assim o queiramos.
- Oh Manel, dizia-lhe, no escuro não vejo!
- Vê pois, vê a escuridão!
Mal é não enxergar, por teimosia ou limitação!
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Afonso Faria
em
21:29
quinta-feira, novembro 8
segunda-feira, novembro 5
REFUNDAR
Estavam lá todos os meninos. O Pedro, o Paulo, o Miguel, aquele mais pequenino, o de voz mais grossa, e outros meninos e meninas. Brincavam às palavras para quebrar o ócio do recreio em sala fechada em tempo chuvoso.
Agora é tu, dizia o Paulo, coloca a letra... r-e-f-u-n-d-a-r, colocou o "a" o Pedro, ficou R-E-A-F-U-N-D-A-R. Perdeste, perdeste, gritaram em uníssono a São, o Paulo e ainda aos solavancos o outro Pedro.
Quase todos os outros meninos se levantaram protestando. Está errado, quem terminou foi o Paulo, perdeste!
Ficou de trombas, o Paulo, durante dias não falou...
Quem escrevia o que se passava na sala dos brinquedos era o Miguel que já sabia escrever mais que os outros, pois bastava o facto de ter mais canetas. E começou a escrever... - a palafra que terminou o jogo foi "re-fon-dar" .
O Senhor Silva que geria o infantário tomou conhecimento da palavra e como era exímio nos computadores, naquela coisa do "LIKE", acionou o corrector ortográfico e disse para consigo..."este Miguelinho continua um troca tintas, ou melhor letras, "a" em vez de "e", a acrescentar "n", não seria? Não percebo que querem dizer mas vou adicionar ao dicionário de Portugal!"
Agora vou fininar isto como dizia o meu filho aos 4 anos. Porque não? Era criança, também tinha destas brincadeiras!
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Afonso Faria
em
17:46
segunda-feira, outubro 22
Ser, sempre o SER!
O tema era como passar fotos da máquina para o PC.
Feito o exercício uma e outra e ainda mais outra vez para confirmar, no ecran uma imagem de um convívio.
Sabem, daqueles convívios sem gravata, sem vestidos compridos, sem copos de pé alto, uma guitarra, um lenço gingão ao pescoço, grandes sorrisos...
| Tronco de Romã (Museu das Cruzes- Funchal) |
Eram cerca de trinta, disse-me. Por mais que nos roubem, por mais que nos imponham restrição, nunca conseguirão retirar-nos isto, o estar com os amigos, não compreendem...
Tenho pensado muitas vezes nesta ideia.
Entendo que é na adversidade que testamos a nossa condição, o nosso SER.
Mesmo usados, mesmo abusados, há um EU que não se deixa derrubar.
Raiva sem amargura, desdém!
A ilustrar, um tronco retorcido, quase seco...resiste!
No alto, entre o verde, romãs feitas sorriso vitorioso, como que gozando de quem dúvidas tivesse.
Publicada por
Afonso Faria
em
23:11
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