Acerca de mim

A minha foto
Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

quinta-feira, julho 5

A vergonha!

Sou do tempo em que as minhas atitudes mais que simples afirmações eram sempre analisadas pela vergonha que podia causar aos meus pais, irmãos, família próxima.
A VERGONHA!
Confesso que me sentiria incomodado pelo oportunismo de um filho,  pela memória de um qualquer eventual acto menos transparente dos meus pais. 
Foi assim que me ensinaram, um conceito arcaico chamado de "valores", foi isso que transmiti aos meus filhos.
Gosto de sentir "orgulho" no que sou, pelo que faço, no elo das minhas relações.
Olhando para a palete de notícias de oportunismos legais mas não éticos, cursos duvidosamente credenciados, subsídios atribuídos, negociatas e influências manhosas, encobrimentos cooperativistas, prepotências escudadas em cegas regras feitas à medida, pergunto-me se os actores não têm pais, filhos...
Será que à boleia dos novos acordos ortográficos o conceito de "vergonha" desapareceu?
Dói-me ver tanta gente boa e simples ser abusada na sua tolerância face a actos de puro oportunismo, só porque são de um clube de simpatia...
Continuo a acreditar que os gestores da "Quinta" um dia serão responsabilizados, continuo a acreditar que só quando dissermos veementemente basta, algo mudará.
Até lá...



domingo, julho 1

A boleia II

Acabou, finalmente!
Parabéns Espanha.
Em última hora, consta que o ministro Relvas informou que irá a Madrid receber os jogadores de Espanha!

sexta-feira, junho 22

A boleia

Repararam na boleia de ontem?
Em mensagem balofa e circunstâncial na página oficial, o Presidente regozijava-se de imediato. Pertinente mais que nunca aproveitar a boleia...
A propósito viram também a mensagem quando Portugal sagrou-se campeão do mundo de atletismo de síndrome de down? Não? Eu também não!
No Brasil, Passos Coelho atropelava as palavras, baralhava as ideias sobre o assunto. O Importante era "protagonizar" , ...à boleia.
E, falando de boleias...
Relvas deslocou-se à Polónia para ver em directo o jogo. Ele foi. Será que fomos nós a pagar a boleia?


domingo, junho 17

Férias

Estou de férias!
Este ano foi pleno de emoções, de desafios, de entrega.
Entre Sobral de Monte Agraço, Santana da Carnota e Carregado, 106 alunos seniores.
Estou cansado mas satisfeito. Houve um trabalho em equipa, de recebimento e dádiva. 
Informática? Sim, também se caminhou nesse sentido mas tenho sempre a sensação que o estar com estas turmas é mais que isso. 
Avaliação?
A assiduidade dos alunos. Sintomática e indicadora.
Agora? A terra, a vinha...o descanso.
Um dia vou-me reformar!

segunda-feira, junho 4

às vezes...

Às vezes vale a pena chegar quase noite a casa, bem cansado, olhar perdido aceitando...

Às vezes vale a pena deixar-me surpreender e permanecer sem questionar...

Às vezes é aqui o encontro não marcado, o inesperado, captado pela alma e acidentalmente registado pela máquina...
 

domingo, junho 3

Tomás regressou à feira

Lembram-se daquele Almirante que era a primeira vez que estava no local desde a última vez que por lá passara?
Em Santarém, vestido a rigor de acordo com o papel que representava, aprumado em cima do cavalo, um homem dava as boas vindas ao Sr. Presidente.
- E o animal como está?
Estas palavras oportunas e doutas em resposta a tão solene saudação, transportaram-me aos tempos do Sr. Almirante.
Belisquem-me!

domingo, maio 20

Extinção de Juntas de freguesia

Fala-se das juntas que existem, das que não deviam existir. Fala-se...cansativamente, por vezes sem nexo.
Há dias, estava na sala contígua, o telefone tocou, oiço a funcionária - "olá D. M, tenha calma, sente-se e respire, tenha calma...",cinco, dez minutos, sem pressa.
A dita junta serve menos de dois mil habitantes, velhos por essência, numa área de cerca de 18.000 km2. Para além do nº de eleitor, há PESSOAS. 
Na junta pagam-se vários serviços, (água, luz, telefone) e é em simultâneo posto de correios.
Vezes sem conta sentados no hall de entrada, idosos sem idade, muita em denúncia dos rostos cinzelados, esperam. Atentos ao movimento, ouvem, sorriem e às vezes falam. Mãos ressequidas pela dureza dos solos, olhos gastos de vistas várias, indumentárias negras de solidão, indicador negro de identificação.
Vieram à junta, trouxeram-nos à junta, às senhoras da junta.
Alguém, os levará de regresso a casa, nem que seja a carrinha da junta...
Fala-se das juntas que existem, das que deviam existir.
Fala-se ... cansativamente, por vezes sem nexo.
Sem bom senso!


  

terça-feira, maio 15

Colonoscopia

Há dias fiz um exame.
Muita gente o faz, se calhar não tantas pessoas como deviam.
Depois do sacrifício da preparação, a recompensa de tudo estar bem.
Um conhecido, aluno sénior informou-me que também tinha feito.
Sem sedação, não aguentara o exame completo, detectaram-lhe um tumor de 4cm. Terá que ser operado. Não tinha 150 € para pagar a sedação, disse-me.
Fiquei incomodado, senti-me privilegiado...
Esta saúde, esta política dói-me!
PQP (eu explico para quem estiver interessado) quem cegamente decide!
Pragas?
Por justiça gostava de saber rogar!

quinta-feira, maio 3

Dentista

Estou como se tivesse levado uma sova!
Afinal foi só uma ida ao dentista...
Há cerca de vinte anos que nos conhecemos, competente, detentor de um consultório com tecnologia de ponta, de uma paciência enorme. 
O mal não é dele, é meu. 
Uma hora na cadeira, creio que estive apoiado somente no pescoço e calcanhares. Doem-me as mãos, as falanges de tanto cravar as unhas num desgraçado de um guardanapo..., os abdominais, os bicipites, trícipites de tanta contração.
O mal não é dele, é meu!
Ainda ontem lhe dizia que o consultório estava mal situado, em frente às finanças. Podem ser simpáticos mas fazem sempre doer...
E é um encontro mais cedo ou tarde.
Mas mesmo assim, prefiro estar sentado na cadeira e espreitar as letras azuis da repartição do que do outro lado o dente do 1º andar.
Pago mas sei a quem, tenho interlocutor válido, em último caso a opção é minha.
Para a semana há mais, que bom...

sábado, abril 28

TDT



Esta foi uma realidade em muitos lares de Portugal.
"Precisa apenas do equipamento apropriado. Informe-se através do número 800 200 838 ou do site TDT.TELECOM.PT".
Pois, equipamento...
E quem tem unicamente uma televisão sem ligação possível ao conversor, que deve fazer?
Telefonei, e disseram-me que é possível aproveitar as televisões antigas com antena recepção UHF. Porque não se faz a mesma divulgação desta possibilidade da mesma forma como se propaga a aquisição de  descodificador?
Equipamento e mais equipamento. E custos? Com que direito?
Este processo foi manhoso, sem sensibilidade social, elitista, deficientemente esclarecedor.
Mais uma vez, em nome do progresso se determina, cegamente.
Um dia, não sei quando mas acredito que sim, o Zé acordará e mandará estes agentes decisores não para um ponto qualquer de reciclagem mas para uma central de eliminação de lixo tóxico.


quinta-feira, abril 26

Em comunhão

Há momentos de diálogo com...
O outro,
connosco,
aparentemente com ninguém.
Deu-me tempo para pousar a enxada, sacar da "arma" e mesmo com um ruído de fundo a jacto passando, disse-me,




Não o vi mas ouvi.
Senti!
Senti-me bem, privilegiadamente em comunhão, simplesmente...

domingo, abril 22

Dia da terra

O meu olhar...

 

quinta-feira, abril 19

O Despertar da Águia


Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para o manter cativo em sua casa. Conseguiu apanhar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Com sabem, a águia é a rainha de todos os pássaros.  
5 anos depois, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: 
- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia!  
De facto - disse o camponês - É águia, mas eu criei-a como galinha. Ela já não é águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar de ter asas com quase três metros de envergadura.  
Não! - retrucou o naturalista - Ela é e será sempre uma águia, pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. 
Não, não! - insistiu o camponês - Ela habituou-se a ser galinha e jamais voará como águia.  
Então decidiram fazer uma experiência. O naturalista pegou na águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: Já que és de facto uma águia, já que pertences mais ao céu do que à terra, então abre as asas e voa! 
A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente em redor. Viu as galinhas lá em baixo a debicar e saltou para junto delas.  
Eu não lhe disse? Ela transformou-se numa simples galinha! 
Não! - tornou a insistir o naturalista - Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. 
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia ao telhado da casa. Sussurrou-lhe: 
Águia, já que és uma águia, abre as asas e voa!  
Mas quando a águia viu lá em baixo as galinhas a debicar no chão e saltou para junto delas. 
O camponês sorriu e voltou à casa: 
É como lhe disse... Ela  agora é galinha! 
Não! - respondeu firmemente o naturalista - Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. 
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram-se bem cedo. Pegaram na águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. 
O naturalista ergueu a águia para o alto e disse: 
Águia, já que és uma águia, já que pertences ao céu, abre as tuas asas e voa! 
A águia olhou em redor. Tremia como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direcção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.  
Nesse momento, ela abriu as suas potentes asas, grasnou com o típico KauKau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou...voou... até se confundir com o azul do firmamento...  
Todo o ser humano tem dentro de si a faceta águia e a faceta galinha. A galinha representa as nossas necessidades mais básicas, como comer, dormir, beber, realizar afazeres domésticos. Representa a materialidade do quotidiano. Já a águia representa a nossa capacidade de evoluir, os nossos desejos mais profundos, os nossos sonhos e o nosso lado espiritual. 
Viver apenas sob o nosso aspecto galinha é mais fácil, por diversos factores. A nossa cultura, inclusive a organizacional, alimenta a galinha que existe em nós, valorizando pessoas que aceitam tudo sem questionar, que se contentam com pouco. Além disso, ser galinha envolve mais segurança, menos riscos. As pessoas, muitas vezes, preferem não arriscar ir além do galinheiro, mesmo que isso signifique não desenvolver todo o seu potencial, mesmo que essa escolha seja o sacrifício de muitos dos seus sonhos.
Fala-se muito no despertar da águia, no despertar da essência de cada um. Organizações discursam sobre a necessidade de novos talentos, de pessoas que ousem ir além, que inovem e que busquem realizar os seus desejos e superar os obstáculos. Contudo, frequentemente isso fica só pelo discurso. Na prática, os colaboradores-águias são tolhidos pela organização, quando não podem manifestar a sua opinião, quando as suas ideias são recebidas com hostilidade ou indiferença, quando são desvalorizados e treinados para agir sempre da mesma maneira. A insegurança é mais um factor que leva as pessoas a esconderem-se no galinheiro. Os gestores têm dificuldade em assumir que não sabem tudo, fruto também de uma cultura em que dizer “não sei” é sinónimo de incompetência. Esse medo só retarda o despertar da águia tão necessário nos dias actuais.
O grande desafio que o ser humano tem é saber equilibrar e integrar as dimensões águia e galinha. Essa articulação deve ser uma busca constante. Devemos todos tentar sempre desenvolver os nossos talentos, a nossa criatividade, a nossa capacidade de inovar, mas sem nos esquecermos de nossas necessidades básicas e das atividades rotineiras. Saber equilibrar os sonhos mais altos com as exigências da realidade é fundamental.
O tempo actual exige o despertar da águia. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos. Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para debicar.
Somos águias!
Do livro "O Despertar da Águia" de Leonardo Boff,
a partir da narrativa “A águia e a galinha”, de James Aggrey

terça-feira, abril 17

Os meus amigos seniores de Santana da Carnota mandaram-me dar uma curva. E eu fui, não uma mas muitas!
Serra da Estrela foi o ponto de eleição. E em bom momento o fiz!
Gouveia, Manteigas, Seia, uma zona fresca e deslumbrante!

Melo, Gouveia, o refúgio para noites reparadoras.
Berço de Vergílio Ferreira, nascido em 1916.
Na praça principal, num empedrado cuidado, o percurso do escritor, na parte central, vida académica ao longo da vida.
Ladeando a praça, retângulos de granito, legendas das obras do escritor.
Uma feliz homenagem ao ilustre filho da terra. O espólio está entregue à Câmara Municipal de Gouveia.
É em Gouveia também que se encontra o Museu Abel Manta





Palavras para quê?
O alto derrama sonora,
costa abaixo, livre,
a cristalina água... 




A legenda incorporada...


 e subimos, fomos ao encontro...

Valeu a pena...


A vista lavou-se!











Gouveia, zona envolvente da Casa da Cerca














Seia, Museu do Pão.

segunda-feira, abril 2

Sobral de Monte Agraço - Caminhadas

Pelas serranias do Sobral de Monte Agraço

O tempo? Ameaçador! De chuva, de alegria para os campos. Foi-se a ameaça, foi tempo de concretização.
Cerca de duzentos corajosos dispuseram-se a palmilhar trilhos, serra acima, abaixo, trilhos enlameados, sinuosos, janelas para campos coloridos, improváveis verdes provocados pela secura.
É sempre bom fazer estas caminhadas onde o olhar tem que estar atento ao tropeção e ao apelo do espectáculo.
Os pulmões excedem-se, os músculos afirmam-se, alguns rostos incendeiam-se.
Entre o grupo, mesmo conhecimentos do momento, uma troca jocosa de palavras, um comentário de ocasião.
E, se tivermos a sorte de para além de amigos a família em bloco nos acompanhar, qual lama, qual chuva, vento, frio?
E a verdade é que o sol voltou em presença amena, ideal para o momento...

______________________________________________