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Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

sábado, março 31

Mais uma que não entendo...

Em qualquer eleição, seja para a Assembleia da República, Presidência, Europa ou Autarquias, os experts nestas matérias, diabolizam os que ousam abster-se, que isto que aquilo...
Nesta semana, discutia-se o Código de Trabalho na Assembleia da República.
O Partido Socialista absteve-se...
Estratégias políticas, sabedorias, compromissos, apregoa-se.
Que estratégia, que sabedoria, que compromisso e com quem?
Vou ver se entendo, critica-se o "Zé" que se abstém e não pode, não deve, na votação daquele que se abstém e pode,e deve,  em nome do "Zé"...
Confuso? Cadê os outros, diria o humorista?

sexta-feira, março 30

ciclo de vida!

A mata, aquela mata frondosa por onde caminhava amiudadas vezes foi cortada! No chão jazem raquíticos ramos terminais de pequenas árvores, eucaliptos, inertes, amontoados braços desprezíveis para a indústria. 
Faz-me pena, mas compreendo. É o equilíbrio da natureza, a fera e a presa... Dizem-me que acontece de doze em doze anos...a papeleira, a fera, o eucaliptal a presa!
Toneladas de esguios troncos acumulam-se ao logo das veredas à espera de transporte para o sacrifício, a pasta. Exagero, impregno animismo onde não deve constar...
Ontem, ao caminhar pelas imponentes pilhas de madeira, ao lhes absorver o fresco perfume de corte recente, passos e passos ao longo, medindo a altura, senti frio no silêncio, uma seiva que estagnou. 
Não mais serão resguardo, contraste, silvo. Jazem.
Sem ter nada a ver com, senti-me em.
Em silêncio,
Em dor,
Em tristeza!
Ah, mas há outro lado, um outro. Da minha casa passei a ter um horizonte mais amplo, as noites polvilham-se de luzes em caminhos, vidraças longínquas iluminadas, um farol vermelho de um carro que circula sem estrada, move-se, é quanto me basta. Há vida, este derrubar de parede, as copas, permitem-me ter consciência que para além do que comodamente via em sossego, há outras vidas, outra vida.
Devassa nos meus olhos, descoberta de outras tranquilidades.
E se calhar, quando de novo as copas se fecharem esqueço-me uma vez mais do que era, reencontro-me uma vez mais.
É isso, o reencontro sem limites, sem tempo.
Porque assim quero,
porque assim será, sempre!


terça-feira, março 27

a minha opinião...

Hoje celebra-se o dia do dador, ouvi na Rádio! Um dos meus dias...
Ouvi sua excelência o ministro de Saúde pronunciar-se sobre "ganância" dos dadores de sangue ao pretenderem ter isenção de taxas moderadoras na saúde, em geral. Quase que apelidava de espírito mercenário esta pretensão.
Comecei a doar sangue, ainda não se falava em rentabilidades seja lá do que for, doava porque entendia ser bom.
A dado momento, o estado, este mesmo, apesar das cabeças ministeriais resolveu considerar mérito a quem era dador e, deu-lhes isenção de taxas moderadoras. Só há dois anos soube e passei a utilizar este "reconhecimento".
Em meu entender trata-se mesmo disso. Se pensar, Sr. ministro que condição "sine qua non" para dar sangue é ser saudável, a utilização dos recursos de saúde será pontual e entendo que considerar  a isenção de taxas para os dadores deve ser na contabilidade da saúde um valor insignificante. E ainda há a considerar que recorrer à saúde é no mínimo um "bem" muito indesejável. Mas falamos de valores, e na cabeça de muitos governantes, valores são valores, principalmente se forem arrebanhados a quem use um bem comum, o SNS.
Mais grave serão as ajudas de custo, permanentes, ou forçadas episodicamente, garantidas, como as da classe política, em todos os estratos.
Querem que vos diga? Continuarei a assumir-me como agente político na base, na "merda" se assim entenderam, recuso-me a contribuir para a manutenção deste "status quo". 
Continuo convictamente a recusar-me a votar nesta gentalha em metamorfose duvidosa!



sexta-feira, março 23

Palavras, letras...


Sinto-me extasiado quando ao ler um texto o autor consegue impregnar as palavras de sons e odores, colorir os sentidos, imagens, biselar as expressões.
Esta coisa de cultivo das letras tem muito que se lhe diga. Não basta, em meu entender ligar vogais e consoantes, fazer frases.
Se tenho uma fixação no uso das palavras, curioso é que não consiga memorizar as letras das músicas.
Ah, os sons, destroem-me de todo as minhas defesas...
Impressionante como a combinação de sete notas invadem, devassam as minhas defesas e provocam-me emoções. E não é da idade, sempre tive essa brecha na minha defesa emocional!
O exímio operário das letras é um criador, tal como o embutidor de madeira. A peça, a cor, a matéria certa no contraste. Recorta milimetricamente os contornos, repõe com outras matizes os espaços.
Tive o privilégio de ter como professor no Liceu, um escritor.
Nunca notara tanto movimento, tanto odor, tanta cor nas palavras escritas das mesma forma, em terrenos diferentes, consolidando ideias diferentes. Tomei consciência nessa altura, tornei-me mais exigente.

terça-feira, março 13

Ver além...

São muitos os problemas causados pela ausência das chuvas, mas, por outro lado há como que um apressar da afirmação da Primavera.



Estas são lindas e a perspectiva de saborosos abrunhos, entusiasma-me...




Recortados no céu azul, o verde que se insinua, o branco que se afirma...











E à noite, estão lá, não se vêem mas a beleza permanece, para quem as procurar...



Estas, são as chamadas selvagens, nem sei se préstimo têm...




Sou surpreendido todos os dias, apesar de querer estar atento.
Em breve passariam despercebidos este arbustos, não fossem os picos...
Há pessoas assim!







Não têm préstimo, disse?
Têm pois, 
Emprestam-me cor,
fazem-me ganhar tempo a contemplá-las,
é pouco?

sexta-feira, março 9

Ver, olhar, estar...

Eu não vos disse que estava linda?
Nenhuma máquina é capaz de a captar como o olho humano. Para além da sua presença, o envolvimento, o silêncio...
Eu estive, senti, por momentos aceitei.
Deixo-vos a reprodução, estimule a imaginação, espicaço-vos a curiosidade para hoje. Momentos de reflexão, de abandono, de encontro!





Bom dia! Ou será noite?
Não criei o cenário...
Existe, assim queiramos ver, estar atentos.









 
De tão insinuante, tarda a desaparecer...








Mas cede o seu lugar de encanto com harmonia, docemente, brando retoma seu trono, o Rei.
Viver intensamente, beneficiar sofregamente do que me preenche a agenda, sem marcação!



Esta sexta promete, comecei bem!

quinta-feira, março 8

Dia internacional da mulher

Já viram a Lua hoje? Cheia, linda!
Sempre a associei à mulher.
Não costumo "ligar" a dias comemorativos e ainda mais quando o seu sentido original foi de todo usurpado pelo faz de conta da delicadeza, orientado pelos interesses comerciais. Inicialmente a evocação deste dia estava directamente ligado à luta das mulheres pela igualdade, pelo reconhecimento da sua condição. 
Já tudo foi conseguido, restavam o perfume, a joia, o ramo de flores...
A primeira mulher lutadora na minha vida foi a minha mãe. Quando a quarta classe bastava para estar atrás de um balcão, e em casa havia matéria prima para quadro mercearias, ela assumiu  o sacrifício do poder e zarpamos para a cidade onde havia as escolas secundárias. Tantos silêncios "cristãmente" assumidos, tantas lutas em segredo travadas e só posteriormente divulgadas. E sabem, a mulher a quem prometemos cuidar e nunca abandonar quando for velhinha? 
É a mãe. Fi-lo tantas vezes sentado nos seus joelhos com os braços em volta do pescoço e ela embevecida acreditava e amava ouvir como se cada palavra fosse proferida pela primeira vez.
Era a mãe! A mesma mãe que aguentou três filhos em simultâneo em Guerra no Ultramar (Angola, Moçambique, Guiné). Mulher de armas, a minha mãe!

Depois outras mulheres surgiram, algumas passaram. 
Tenho ainda comigo uma professora, uma Mulher. Não nos vemos há três décadas, mas não passou, permanece.
Não escolhi a mãe, não escolhi os professores.
Há mais de três décadas que conheço e partilho a minha vida com outra Mulher. Lutadora, Guerreira, Mãe, escolhemo-nos.
Este dia, mais os outros 365 (deste ano) são teus!

sábado, março 3









Quase todos o dias me desloco aqui.
Ontem, já a noite chegava, um candeeiro brilhava entre o branco e rosa envergonhado...

















Olhei, tinha que olhar.
Intensa a luz, alva a árvore!







Outro candeeiro mistura-se...













Tenho andado por cá, olhei e não vi.
Como quase sempre, distraídos, absortos com LONGES, deixamos escapar o imediato.
REDIMI-ME!
A tempo.

quinta-feira, março 1

Do céu caíram gotas

Ai o que vi, senti a meio da tarde....
Corpos soltos em apressados passos, mãos ao alto nem sei se se protegendo, se dando graças aos céus.
E sorriam.
E chamavam-se, olha, olha, ela aí vem...
Fugaz, bendita a chuva, e que saudades...
Nos olhares brilhos de esperança, nos rostos desfizeram-se rugas, por momentos.
Renasceu a promessa de um árduo e fértil trabalho breve, dia a dia adiado.
Aqui, no momento, com estes actores, neste palco, adorei estar presente!

segunda-feira, fevereiro 27

Metade do céu

 "As mulheres aguentam metade do céu"
 Provérbio Chinês

Este é o título do livro que acabo de ler.
Das mulheres, das discriminações a que ao longo do tempo têm sido sujeitas, das violências que têm sido alvo, é o que fala a abordagem feita por um casal de jornalistas (Nicholas D. Kristof e Sheryl Wudunn) em muitos países do mundo.
China, India, Tailândia, Afeganistão, Ruanda, Zimbawe, e muitos mais, foram visitados e em primeira mão são relatados acontecimentos que para nós ocidentais são quase ficção.
O positivo desta narrativa é que os autores não se ficam pelos aspectos negativos, cruéis por vezes. 
A cada tragédia descoberta,uma mudança de atitude e sucesso é contraposta, é amplamente desenvolvida e divulgada.
Ainda há esperança!
Que cada um, mesmo isoladamente assuma o seu papel de Colibri na luta deste incêndio de desumanidade  e egoísmo que teima em alastrar.
Repito, ainda há esperança...

domingo, fevereiro 26

Revolta

Tal como animal feroz
em barras enjaulado,
vagueio por espaço vazio,
de arame cercado.
Gostaria de ir além,
onde há mais ar e cor!
Tenho medo de ir encontro da morte.
Assim, refugio-me, aguardo,
que me venham matar.
Tempos houve em que fugi
para bem alto, longe...
onde não havia guerra,
só paz!
Hoje estou cansado,
e por mais que queira,
não sou capaz!
Paguei meu tributo,
que mais querem de mim?
Deixem-me!

Olossato, 1974 3 meses após ter terminado o tempo "legal" da comissão

quarta-feira, fevereiro 22

confidência

 Outro fragmento...



Que procuro no fumo do meu cigarro
Quando o aspiro com ar pensativo?
Talvez identificar-me com o fumo que passa,
leve volúvel em nuvem de nada.
Puxo um, escrevo um pouco,
fumo outro e penso.
Estou cansado e só eu sei!
Este cigarro confidente
meu fiel companheiro, 
queima-me os dedos
carboniza-me os pulmões,
mas dá-me sossego.
Cada segredo em o aspirando com o fumo 
se esvai em nuvem de turbilhão
desfeito num segundo.
E quem o ouve, quem o sente?
Exclusivamente eu!


Olossato 1974


segunda-feira, fevereiro 20

máquina de guerra

Tal como o nome do blog indica, este é um baú de recordações.
Num papel amarelecido, margens enroladas pelo tempo, folhas arrancadas de um bloco que    por terras da Guiné passou encontrei este. Momentos de solidão,de revolta, de reflexão, sem pretensão literária, mas registos de alma associados a um momento vivenciado.


 
À sombra de um frondoso mangueiro,
passando horas, queimando tempo,
espero a ordem de lançar pânico,
medo e morte a quem desconheço.
Que mais sou senão joguete
de quem manda em termos imperativos,
acertando a máquina,
introduzindo algarismos
no monstro de ferro trabalhado
em objecto de guerra?
Paradoxo a sombra, o verde e o sol
a calma de uma brisa que passa
com a guerra, a fome e o medo,
o vermelho sangue, a granada que
rebenta e mata.
Sou eu?
Quero bem não querer, mas algo superior a mim
me obriga a matar por dever...
Enfim!

   


Olossato 1974

sábado, fevereiro 11

Sem razão, só porque me lembrei

Tempos houve que o mar era a minha limitação, a fuga.
Nasci na Ribeira Brava, Madeira, e quem conhece o sítio sabe a relação que tem o povo da Vila com o Oceano. Plácido no Verão, na Primavera, ameaçador por vezes no Outono, agente destruidor no Inverno, em dias que se insurgia sonoro, galopando o calhau, galgava as muralhas, enchendo a praça, transbordava até à Igreja, espraiando-se silencioso, canais de portas ladeado. Dizia-se que a Ribeira Brava estava ao nível do mar ou até inferior. Nunca apurei até porque gostávamos de pensar que éramos bafejados por qualquer fenómeno especial.
Na escarpa, uma escadaria levava-nos ao farol, sempre iluminado ao fim do dia, guia da navegação, ponto privilegiado de observação da raiva e revolta poderosa do mar. Deixava-me ficar a olhar, não sei a ver o quê. A magia, a hipnose de uma onda que se formava, a esperança que outra ainda fosse maior. No ar, gotículas com sabor a sal, cadenciados rugidos alongados, rufar de tambores pedras contra pedras, salpicos alguns de demasiada proximidade, segredos de conduta aos nossos pais...
O tempo hoje esgotou a insularidade, felizmente.
O mundo era a Madeira, o mar o limite, a estrada.
A primeira vez que saí da ilha aos 18 anos foi de barco, no Funchal, na altura a ligação semanal com o Continente. E foi especial a abordagem a Lisboa desta forma pelo cais de Conde de Óbidos em Alcântara, num amanhecer de uma segunda-feira de Maio.
Pela água, mansamente atracava a um cais, vindo de um cais.
Hoje bem cedo, contemplando uma neblina que anunciava um começo de mais um dia, olhar longo, sem limite tal como o mar, esbocei um sorriso, creio que reconstituí aquele momento de sedução e impaciência que a capital me despertava. Um novo dia, uma vida em descoberta.
É bom recordar, é bom recordar quando há sinais de saudável evocação sem nostalgia. E afinal este episódio nem é importante para além de mim mesmo...
Hoje, longe do mar, mantenho uma relação de cumplicidade com ele, casualmente colocamos os silêncios em dia.
Mas é aqui no campo que me reservo, me realizo.

terça-feira, fevereiro 7

uma questão de vagas...

Como lamento a mediatização da condição humana em consonância com as "vagas".
No Natal, são as consoadas para os pobres altamente publicitadas pelas diversas organizações e amplamente aproveitadas pelos órgãos de informação. E fazem notícia...
No abaixamento de temperatura, perfilam-se os operadores de câmara, fotógrafos, procurando a obtenção do melhor ângulo das desgraças dos outros. E fazem notícia...
Não são ingénuos os Senhores que apregoam através da imprensa falada e escrita, a abertura de portas do metro e pavilhões onde podem abrigar-se os pobres e até comer um caldinho ou bebida quente. E fazem notícia...
E as instituições que deveriam agir por bem e com discrição, nestes momentos até se permitem ser acompanhados por repórteres para que o sofrimento alheio seja registado. E fazem notícia...
E focam-se os panelões fumegantes, canecos de leitinho quentinho, cobertores generosamente doados para os pobres, nestas ocasiões, fofos, coloridos. E fazem notícia...
Melhor conseguida será a imagem do sem abrigo cabelo longo e grisalho, barba descuidada, olhar baço sem esperança, unhas negras e longas encardidas pela sujidade e pelo tabaco de beatas recolhidas ao longo dos passeios, voz rouca de álcool sem marca, rugas pronunciadas em volta do olhar, boca desdentada. E fazem notícia...
E os repórteres sentam-se por momentos nos cartões ao lado daquela "espécie" e como se não chegasse a imagem crua, introduzem "bandarilhas" de sofrimento tentando saber porquês, chafurdam e sentem-se conseguidos ao arrancar a revolta antes silenciosa. E fazem notícia...
Este amargo que sinto na minha boca não é fel. É de tristeza!
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