Já viram a Lua hoje? Cheia, linda!
Sempre a associei à mulher.
Não costumo "ligar" a dias comemorativos e ainda mais quando o seu sentido original foi de todo usurpado pelo faz de conta da delicadeza, orientado pelos interesses comerciais. Inicialmente a evocação deste dia estava directamente ligado à luta das mulheres pela igualdade, pelo reconhecimento da sua condição.
Já tudo foi conseguido, restavam o perfume, a joia, o ramo de flores...
A primeira mulher lutadora na minha vida foi a minha mãe. Quando a quarta classe bastava para estar atrás de um balcão, e em casa havia matéria prima para quadro mercearias, ela assumiu o sacrifício do poder e zarpamos para a cidade onde havia as escolas secundárias. Tantos silêncios "cristãmente" assumidos, tantas lutas em segredo travadas e só posteriormente divulgadas. E sabem, a mulher a quem prometemos cuidar e nunca abandonar quando for velhinha?
É a mãe. Fi-lo tantas vezes sentado nos seus joelhos com os braços em volta do pescoço e ela embevecida acreditava e amava ouvir como se cada palavra fosse proferida pela primeira vez.
Era a mãe! A mesma mãe que aguentou três filhos em simultâneo em Guerra no Ultramar (Angola, Moçambique, Guiné). Mulher de armas, a minha mãe!
Depois outras mulheres surgiram, algumas passaram.
Tenho ainda comigo uma professora, uma Mulher. Não nos vemos há três décadas, mas não passou, permanece.
Não escolhi a mãe, não escolhi os professores.
Há mais de três décadas que conheço e partilho a minha vida com outra Mulher. Lutadora, Guerreira, Mãe, escolhemo-nos.
Este dia, mais os outros 365 (deste ano) são teus!
