Acerca de mim

A minha foto
Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

quarta-feira, setembro 29

trabalhos de campo


Ontem mais uma vez fui para o campo. O objectivo foi contribuir para a vindima num terreno de um amigo por acaso meu "aluno". Durante cerca de quinze dias porque as vinhas ainda são grandes, procede-se à apanha da uva.
Natural, dir-me-ão, Outono mês das vindimas. O menos natural é todo o trabalho ser feito por amigos, sete ou oito por dia, de manhã ao fim do dia, pro-bono.
Ontem, o grupo era misto, casais a maior parte. Experiências de vida enormes, longos anos! Há muito tempo que não me sentia "benjamim"! Era o mais novo distanciando-me vinte e quatros anos do que mais tempo tinha de vida. Um dia sentirei também tamanho sorriso, capacidade de entrega, para isso ensaio.
As conversas? As mais diversas, vivências jocosas, trocadilhos oportunos, política ou inevitavelmente saúde. E ouvia! Perante o cenário e o naipe de protagonistas, que tinha eu de interessante para dizer? Desta vez era tempo de aprender, escutar, respeitar.
Algumas toneladas apanhadas, hora de almoço, outros momentos de partilha de alimentos, experiências. Esta gente sabe viver com o que é, identifica bem os seus limites, sorri e VIVE.
Há dias falando na minha intenção de participar nestas jornadas, alguém me perguntava quanto te pagam? Outro planeta que não o meu, felizmente a ele não pertenço.
O que recebo de tão rico, é mais valioso que qualquer pagamento.
À noite, corpo dorido, mãos encardidas, uma tranquilidade saborosa, uma paz que só se vai alcançando com a aprendizagem de momentos como este!
Aconselho!

quinta-feira, setembro 16

manhã de Setembro


Como se fosse o primeiro encontro, uma primeira chegada, a descoberta. Sinto-me sem fôlego de tanto reter a respiração. Esqueço o lugar ,o tempo. Abandono-me em lento acordar e solidariamente amanheço.

Ténues, os contornos afirmam-se, reconheço, regresso! Foi bom o momento, é uma bênção poder estar atento, aqui!

BOM DIA!

quarta-feira, setembro 15

Sinais dos tempos!!!(para pensar)

CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRACÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicos, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neuro-biologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económico para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la graduadamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Por quê?“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTO-CULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neuro-biologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

domingo, setembro 12

Viver no campo


Viver no campo é também aprender a conviver com outras manifestações de vida!
Hoje tive uma visita silenciosa. A Luna, atenta e sonora alertou-me com potente ladrar, da presença.
Impressiona, a minha experiência com este tipo de rastejante foi traumatizante. Foi na Guiné, por completa desconsideração, cuspiu-me. Um dia conto!
Antes de a afugentar para outras paragens, aquando registava o momento, dei comigo a pensar que na cidade não tinha destas. Estas são cobras de verdadeiras línguas viperinas, identificáveis...
Noutras paragens são camufladas, em forma humana, corrosivas, venenosas!

ESTAS SÃO MAL MENOR!

sexta-feira, setembro 10

estar no momento!

São "visões" como esta que me fazem andar com a máquina fotográfica. É o momento, o meu. Quem viu, quem estava atento? Depois, a melodia do silêncio o movimento indolente de um vento que embala o dia que se esgota. Em segundo passou, não volta a repetir-se, provavelmente não voltarei a estar no lugar. Este captei-o, bebi-o. Na minha relação com o astro Rei, uma cumplicidade soberba, mais uma série acrescentada às "VISTAS SENTIDAS".
Partilho!

sexta-feira, setembro 3

quinta-feira, agosto 26

mais uma


Mais uma...espreitando no parapeito da janela!

terça-feira, agosto 24

momentos...



A máquina, a máquina que meus olhos já captaram...
podia ter ido, voado.
A diferença é que só de contar não havia tamanha partilha!

sexta-feira, agosto 13

reportando...uma vez mais! (2)

Infiltrado no meio, nem comerciante nem consumidor, permitia-me deambular pelas vielas, observando, uns de um lado, outros do outro.
Súbito, a feira estava na sua efervescência plena. De onde surgira tanta gente? Cruzam-se pessoas umas em passo apressado, rumos delineados, outras em tempos descontraídos ziguezagueando aqui, ali.
É óbvio que a clientela desta feira não se compara à de um Colombo, Vasco da Gama ou mesmo à da feira de Carcavelos.
Rostos queimados não de uma praia mas essencialmente na rudeza dos campos. E espelha-se nos rostos esta rudeza tão pronunciada como a franqueza de procedimentos. Aqui e ali também se nota a existência de um toque de aprumo na sua deslocação ao evento, à exposição pública. É humano.
Crianças arrastam adultos, seduzidos por miniaturas perfeitas. Um moinho mãe, compra-me um moinho! Quanto custa? Para vários preços, desde 5 euros até...Oh mãe, e olha este, tão lindo...roda! E subtilmente começava a argumentação do adulto em defesa do não, com astuciosas fugas...Olha querido, para a semana quando vieres com o pai, dizes qual é o moinho que queres...a mãe hoje não pode...tem as mãos ocupadas, leva a mana...hoje pode quebrar-se...tu não querias, pois não? Pois não, para a semana é melhor...E seguiram!
Senhor, quanto custa este alguidar vidrado de verde, perguntava a mulher no intervalo de uma conversação em francês com o companheiro. Ele dizia-lhe que a cor era diferente, o verde era perfeito para o que queria, ensaiava colocar um alguidar dentro de outro, tamanhos diferentes, posições de uma qualquer escultura. Está marcado, ouviu-se. E não me faz um desconto? Olhe lá minha senhora, quando vai ao centro comercial e vê marcado uma produto, pede desconto? Não, respondeu-lhe, mas isto é uma feira. Não chegaram a acordo no consenso nem no negócio. Um ficou a pensar que ganhara nada, raio de clientes. O outro que já não havia feiras como antigamente. E eu dei comigo a dar razão aos dois!
Há momentos que são comuns a qualquer feira. O cãozinho estúpido movido a pilhas que dentro de uma caixa se move e ladra, as mulheres tipo "goma" que colocam autocolantes no transeunte incauto a troco de uma moeda em benefício de uma falsa instituição, um grito de uma vítima de um carteirista, o bebé da cigana que mal anda e cai arrancada do chão por um só braço e colocada na anca, e tantos outros triviais.
Eu abatia-o, tadinho, ouvi a meu lado. Procurei situar-me. Um rapaz entre 25 e trinta anos levava pela trela um cão que em tempos teria sido um belo animal. Faltava-lhe a pata traseira direita, amputada pela coxa. E caminhavam lado a lado, o animal num movimento de desequilíbrio em falta de apoio constante.
Segui-o. O dono parou a experimentar uma par de sapatos, largou a trela. O cão deitou-se a seus pés. Enquanto durou a prova dali não se movimentou indiferente aos olhares dos humanos "saudáveis" que por ali passavam.
Vi-lhe no olhar uma chama de tranquilidade de bem estar. Mas isso fui eu que tenho mania de olhar e VER...

quinta-feira, agosto 12

reportando...uma vez mais! (1)


Hoje, a convite de um amigo fui à feira da Malveira.
Feira tradicional, grande, há muitos anos marca da actividade da região, há muito tempo que por lá não passava.
Acordei ainda não eram cinco horas e às seis menos um quarto já íamos a caminho. Por caminhos calcorreados há mais de trinta anos, caminhos ausentes da memória de qualquer comum GPS, estradas húmidas e por espaços quase invisíveis por nevoeiro, chegámos à Malveira ainda a azáfama era ténue como a luminosidade. Um tilintar de um ferro aqui, outro martelar forte em estaca acolá, um "puxa aí", um rosnar de um motor de uma carrinha ao subir o passeio, paus e madeiras saindo porta bagagens, o acampamento moldava-se, tomava forma, cor, vida. Os produtos tomavam seus lugares nas bancadas, em cabides, preenchiam-se os espaços adjacentes. Há de tudo, mesmo o impensável, novo e usado. Estava frio, o nevoeiro mantinha-se baixo, alguns toldos gotejavam. Pouco a pouco os casacos era afastados dos corpos, o exercício aquecia apesar do sol manter-se teimosamente oculto. E o nevoeiro permanecia...
"Leve 6 a 5 euros", "pode escolher freguês", ou simplesmente um olhar acompanhando qualquer manifestação de curiosidade num produto, crescia o bulício. Oito e meia, está na hora, disse-me o meu cicerone...
Com cuidado, não fossemos tropeçar numa corda ou mesmo num produto, esgueirámo-nos por vielas sinuosas, bom dia, oh Chico, então está melhor, a tua senhora? Esta gente conhece-se, estas pessoas estimam-se, pensei. Oh Zé, anda daí, quem? Ah sim é um amigo meu! E eu inchava... Também vem, perguntou-me. Sim, respondi com mais confiança do que anuência...
Vi-me sentado às oito e meia num restaurante. Matar o bicho disseram. Na minha terra seria um copo de aguardente e um café. As mesas cheias, olhei incrédulo. Pregos no prato com ovo a cavalo, sopas, feijoada. Em Roma sê romano. E neste momento eu era romano. Bati-me igualmente com um prego, um tinto de bom beber, não acompanhando os meus companheiros na sopa. Era demais...
E ouvi, e escutei, e vi. Muita gente de distantes lugares, muita gente levava quase cinco horas de labuta. E trocavam-se experiências desta e de uma outra feira, falavam das exigências aqui, dali , das expectativas sempre comuns no dia a dia.
Saímos, demorou-se o tempo suficiente para o objectivo, não mais que se fazia tarde para o negócio...

quarta-feira, agosto 11

reportando...

Quase sete horas.
O dia anunciava-se quente como tem sido hábito neste princípio de Agosto. No caminho, ao dobrar a curva, um cheiro intenso a terra molhada, um borbulhar enérgico vindo das entranhas. Uma ruptura!
Comuniquei aos serviços responsáveis de imediato. Esvaia-se a terra em desperdício de milhares de litros. Se não fosse quase crime, confesso que o caudal correndo estrada fora me refrescou os olhos.
Eram cerca das 11 horas quando chegou o piquete. Uma mini escavadora, três homens. De início o estancar dos canos, depois a intervenção da máquina. Com o aproximar da detecção dos tubos, o balde munido de dentes espaçados amainava a sua acção de remoção, vislumbrei movimentos de carícia cuidadosa. E não mais podia ser feito. Os outros dois homens saltaram para o interior da cratera, botins de borracha, pás rijamente seguras de início, enlameadas depois. Cirurgicamente retiravam a terra envolvente, os cinzentos tubos, dois, par a par iam-se destacando. Dos rostos afogueados, gotas de suor jorravam e caiam na lama, nódoa nas camisas ainda secas. Depois, já não se notavam nas camisas encharcadas de suor!
Um balde debaixo de um arbusto, cheio de água, refrescava, se possível, uma garrafa de água.
Senti o sol morder-me, simples espectador. Que calor! A meus pés, sem descanso lapidava-se a terra, os canos.
Já não aguentava mais! Mesmo sem nada fazer o calor consumia-me. 38 graus apontava o termómetro. Regressei ao fresco da casa e pus-me a pensar no que vira.
Há quem trabalhe duramente, quem não possa parar, mesmo debaixo deste Sol, mesmo com estas temperaturas...
Não sei o nome destes homens, mas guardo em memória a sua acção.
Heróis anónimos, por vezes transparentes aos olhos de tanta ingratidão e egoísmo.
O respeito pelo outro, pelas suas competências, pelos seus talentos, sejam lá quais forem, enriquece-me.

terça-feira, agosto 3

OLHARES!

conformados, duros, expressivos,
enigmáticos, sorrisos, ausentes,
pensativos...




















Estes foram uns que captei, de muitos que observei. No mesmo dia, quase à mesma hora perante a mesma paisagem.
O que eu captei não chega para contar histórias. Mas são imensas as suas. Em mim, no momento despertou também um outro olhar.
"captei-me"...para mais tarde recordar!

segunda-feira, agosto 2

Submarinos

De novo o tema é notícia. E que notícia!
Gostaria de saber a quem interessam os submarinos para além dos senhores militares a quem lhes foi facultado mais um brinquedo, para além dos que encheram os bolsos com este negócio submerso...
Tentando justificar a sua utilidade, o Almirante mor dos mares explicou "ter submarinos é caro, muito caro, mas muito mais caro seria não os ter, em especial para as gerações futuras."
Confesso não conseguir atingir o raciocínio talvez por não pertencer às gerações futuras e vindouras como ouvi no discurso há dias...

Há quem queira manter as quintinhas, os privilégios, há quem queira manter a sua colecção de soldadinhos e artefactos bélicos.
Finalmente Portugal e os portugueses já podem morrer descansados, já temos o nosso submarino, outro vem a caminho!

Alguém me belisque, me acorde deste pesadelo!

O Tridente entrou hoje no Tejo cerca das 10 horas. Uma multidão de meia dúzia bate palminhas com as nádegas!

sexta-feira, julho 23

meditando!

Arredado do comum dos mortais, anda o hábito de reflectir ou melhor, meditar.
Podemos não ter tempo para fazer exercício, ir ao cinema, ler um livro, e outras mais actividades, mas meditar é certamente uma ausência que não pode ser justificada com falta de tempo. Creio que já não faz parte das prioridades. A chamada sociedade do desenvolvimento alicia com todos os os óbvios de momento, cria (inventa) necessidades para depois as fornecer como inquestionáveis, toda a gama produtos duvidosos e mesmo supérfluos.
E é aqui que muitas vezes nos deixamos levar. Não sei como mas Portugal tem de caminhar para uma vivência de maior liberdade de escolha, uma vivência onde sejamos capazes de escolher. Escolher, essa é a questão. Somos levados a pensar que escolhemos. Mas não, somos conduzidos de formas sublimadas à escolha desejada não por nós, mas ao encontro de interesses, normalmente do capital, do consumismo.
Urge que paremos por momentos para reflectir, meditar.
A diferença residirá na nossa capacidade de muitas vezes afastarmos o óbvio só porque nos dizem, porque é moda. A diferença residirá quando por momentos nos questionarmos! Quem somos, como somos, o que queremos ser. SER, um arcaísmo que temos de ressuscitar dos depósitos de quem tem medo do Homem.
Nas nossas casas, no ciclo restrito de amigos, no bairro, na aldeia, deslumbremo-nos e identifiquemo-nos de novo.
Mesmo ao fim do dia, mesmo ao fechar dos olhos, reflictamos, meditemos! Como posso Ser? (diferente, autónomo, EU)

quarta-feira, julho 14

Velhos tempos, tempos modernos...

Pai, Mãe, preciso falar-vos. O tom solene surpreendeu-os. Acho que já tenho idade e "necessidade" de uma mesada ou semanada.Tinha dezassete anos,estava já no sexto ano, décimo primeiro como dizem agora.
Entreolharam-se e perscrutei naquela momento uma certa anuência. Não me disseram de imediato que sim mas convidaram-me a esperar pelo fim do mês. Chegado, o meu pai convidou-me a acompanhá-lo ao acto de recebimento do salário. Assinava uma folha e pagavam-lhe ao balcão em dinheiro.A minha mãe também recebera por esses dias.
Em assembleia senti-me importante ao sentar-me à mesa da sala com eles. Um envelope da minha mãe, um outro com o dinheiro do meu pai! Tanto, pensava ao colocá-lo misturado em cima da mesa...
Vai buscar um papel e lápis, ajuda-nos aqui. Fui, e comecei a anotar. Renda, água, luz, telefone,mercearia, etc, etc.
Mas olhem lá, estas contas já passaram a quantidade de dinheiro que está em cima da mesa!
Pois, vais ao Sr. Pereira, levas o role e diz que os pais pedem para ficar cem escudos por pagar para o mês que vem. Fui e vi-o fazer as operações para que o mês seguinte começasse logo à partida com cem escudos. No role pequeno tipo caderneta que transportávamos sempre que adquiríamos algo e num livro grosso, estreito com múltiplas folhas encabeçadas por nomes, um deles o do meu pai.
Ao regressar a casa, não me lembro se continuamos à mesa. Sei é que nunca mais falei em mesada ou semanada.Passei a estar imensamente feliz com o dinheirito que os meus familiares me davam ou eventualmente uns tostões que dos meus pais em momento de menos aperto ganhava.
Continuei a estudar latim à mesa do café com o meu amigo Martins. Uns dias bebia a "chinesa" outros bebia eu. O importante era fazer uma despesa que nos permitisse ocupar a mesa...
Aprendi a gerir o que tinha. O que não meu, não existia.
Os meus pais não eram detentores de curso algum!
E que lição recebi, que sabedoria tinham eles.
Na qualidade de pai procurei passar a mensagem. Estou satisfeito, entenderam, assumiram-na, os meus filhos.

______________________________________________