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A minha foto
Mas quem sou eu mesmo? Nem eu sei se calhar. Em busca, permanentemente em busca!

terça-feira, agosto 24

momentos...



A máquina, a máquina que meus olhos já captaram...
podia ter ido, voado.
A diferença é que só de contar não havia tamanha partilha!

sexta-feira, agosto 13

reportando...uma vez mais! (2)

Infiltrado no meio, nem comerciante nem consumidor, permitia-me deambular pelas vielas, observando, uns de um lado, outros do outro.
Súbito, a feira estava na sua efervescência plena. De onde surgira tanta gente? Cruzam-se pessoas umas em passo apressado, rumos delineados, outras em tempos descontraídos ziguezagueando aqui, ali.
É óbvio que a clientela desta feira não se compara à de um Colombo, Vasco da Gama ou mesmo à da feira de Carcavelos.
Rostos queimados não de uma praia mas essencialmente na rudeza dos campos. E espelha-se nos rostos esta rudeza tão pronunciada como a franqueza de procedimentos. Aqui e ali também se nota a existência de um toque de aprumo na sua deslocação ao evento, à exposição pública. É humano.
Crianças arrastam adultos, seduzidos por miniaturas perfeitas. Um moinho mãe, compra-me um moinho! Quanto custa? Para vários preços, desde 5 euros até...Oh mãe, e olha este, tão lindo...roda! E subtilmente começava a argumentação do adulto em defesa do não, com astuciosas fugas...Olha querido, para a semana quando vieres com o pai, dizes qual é o moinho que queres...a mãe hoje não pode...tem as mãos ocupadas, leva a mana...hoje pode quebrar-se...tu não querias, pois não? Pois não, para a semana é melhor...E seguiram!
Senhor, quanto custa este alguidar vidrado de verde, perguntava a mulher no intervalo de uma conversação em francês com o companheiro. Ele dizia-lhe que a cor era diferente, o verde era perfeito para o que queria, ensaiava colocar um alguidar dentro de outro, tamanhos diferentes, posições de uma qualquer escultura. Está marcado, ouviu-se. E não me faz um desconto? Olhe lá minha senhora, quando vai ao centro comercial e vê marcado uma produto, pede desconto? Não, respondeu-lhe, mas isto é uma feira. Não chegaram a acordo no consenso nem no negócio. Um ficou a pensar que ganhara nada, raio de clientes. O outro que já não havia feiras como antigamente. E eu dei comigo a dar razão aos dois!
Há momentos que são comuns a qualquer feira. O cãozinho estúpido movido a pilhas que dentro de uma caixa se move e ladra, as mulheres tipo "goma" que colocam autocolantes no transeunte incauto a troco de uma moeda em benefício de uma falsa instituição, um grito de uma vítima de um carteirista, o bebé da cigana que mal anda e cai arrancada do chão por um só braço e colocada na anca, e tantos outros triviais.
Eu abatia-o, tadinho, ouvi a meu lado. Procurei situar-me. Um rapaz entre 25 e trinta anos levava pela trela um cão que em tempos teria sido um belo animal. Faltava-lhe a pata traseira direita, amputada pela coxa. E caminhavam lado a lado, o animal num movimento de desequilíbrio em falta de apoio constante.
Segui-o. O dono parou a experimentar uma par de sapatos, largou a trela. O cão deitou-se a seus pés. Enquanto durou a prova dali não se movimentou indiferente aos olhares dos humanos "saudáveis" que por ali passavam.
Vi-lhe no olhar uma chama de tranquilidade de bem estar. Mas isso fui eu que tenho mania de olhar e VER...

quinta-feira, agosto 12

reportando...uma vez mais! (1)


Hoje, a convite de um amigo fui à feira da Malveira.
Feira tradicional, grande, há muitos anos marca da actividade da região, há muito tempo que por lá não passava.
Acordei ainda não eram cinco horas e às seis menos um quarto já íamos a caminho. Por caminhos calcorreados há mais de trinta anos, caminhos ausentes da memória de qualquer comum GPS, estradas húmidas e por espaços quase invisíveis por nevoeiro, chegámos à Malveira ainda a azáfama era ténue como a luminosidade. Um tilintar de um ferro aqui, outro martelar forte em estaca acolá, um "puxa aí", um rosnar de um motor de uma carrinha ao subir o passeio, paus e madeiras saindo porta bagagens, o acampamento moldava-se, tomava forma, cor, vida. Os produtos tomavam seus lugares nas bancadas, em cabides, preenchiam-se os espaços adjacentes. Há de tudo, mesmo o impensável, novo e usado. Estava frio, o nevoeiro mantinha-se baixo, alguns toldos gotejavam. Pouco a pouco os casacos era afastados dos corpos, o exercício aquecia apesar do sol manter-se teimosamente oculto. E o nevoeiro permanecia...
"Leve 6 a 5 euros", "pode escolher freguês", ou simplesmente um olhar acompanhando qualquer manifestação de curiosidade num produto, crescia o bulício. Oito e meia, está na hora, disse-me o meu cicerone...
Com cuidado, não fossemos tropeçar numa corda ou mesmo num produto, esgueirámo-nos por vielas sinuosas, bom dia, oh Chico, então está melhor, a tua senhora? Esta gente conhece-se, estas pessoas estimam-se, pensei. Oh Zé, anda daí, quem? Ah sim é um amigo meu! E eu inchava... Também vem, perguntou-me. Sim, respondi com mais confiança do que anuência...
Vi-me sentado às oito e meia num restaurante. Matar o bicho disseram. Na minha terra seria um copo de aguardente e um café. As mesas cheias, olhei incrédulo. Pregos no prato com ovo a cavalo, sopas, feijoada. Em Roma sê romano. E neste momento eu era romano. Bati-me igualmente com um prego, um tinto de bom beber, não acompanhando os meus companheiros na sopa. Era demais...
E ouvi, e escutei, e vi. Muita gente de distantes lugares, muita gente levava quase cinco horas de labuta. E trocavam-se experiências desta e de uma outra feira, falavam das exigências aqui, dali , das expectativas sempre comuns no dia a dia.
Saímos, demorou-se o tempo suficiente para o objectivo, não mais que se fazia tarde para o negócio...

quarta-feira, agosto 11

reportando...

Quase sete horas.
O dia anunciava-se quente como tem sido hábito neste princípio de Agosto. No caminho, ao dobrar a curva, um cheiro intenso a terra molhada, um borbulhar enérgico vindo das entranhas. Uma ruptura!
Comuniquei aos serviços responsáveis de imediato. Esvaia-se a terra em desperdício de milhares de litros. Se não fosse quase crime, confesso que o caudal correndo estrada fora me refrescou os olhos.
Eram cerca das 11 horas quando chegou o piquete. Uma mini escavadora, três homens. De início o estancar dos canos, depois a intervenção da máquina. Com o aproximar da detecção dos tubos, o balde munido de dentes espaçados amainava a sua acção de remoção, vislumbrei movimentos de carícia cuidadosa. E não mais podia ser feito. Os outros dois homens saltaram para o interior da cratera, botins de borracha, pás rijamente seguras de início, enlameadas depois. Cirurgicamente retiravam a terra envolvente, os cinzentos tubos, dois, par a par iam-se destacando. Dos rostos afogueados, gotas de suor jorravam e caiam na lama, nódoa nas camisas ainda secas. Depois, já não se notavam nas camisas encharcadas de suor!
Um balde debaixo de um arbusto, cheio de água, refrescava, se possível, uma garrafa de água.
Senti o sol morder-me, simples espectador. Que calor! A meus pés, sem descanso lapidava-se a terra, os canos.
Já não aguentava mais! Mesmo sem nada fazer o calor consumia-me. 38 graus apontava o termómetro. Regressei ao fresco da casa e pus-me a pensar no que vira.
Há quem trabalhe duramente, quem não possa parar, mesmo debaixo deste Sol, mesmo com estas temperaturas...
Não sei o nome destes homens, mas guardo em memória a sua acção.
Heróis anónimos, por vezes transparentes aos olhos de tanta ingratidão e egoísmo.
O respeito pelo outro, pelas suas competências, pelos seus talentos, sejam lá quais forem, enriquece-me.

terça-feira, agosto 3

OLHARES!

conformados, duros, expressivos,
enigmáticos, sorrisos, ausentes,
pensativos...




















Estes foram uns que captei, de muitos que observei. No mesmo dia, quase à mesma hora perante a mesma paisagem.
O que eu captei não chega para contar histórias. Mas são imensas as suas. Em mim, no momento despertou também um outro olhar.
"captei-me"...para mais tarde recordar!

segunda-feira, agosto 2

Submarinos

De novo o tema é notícia. E que notícia!
Gostaria de saber a quem interessam os submarinos para além dos senhores militares a quem lhes foi facultado mais um brinquedo, para além dos que encheram os bolsos com este negócio submerso...
Tentando justificar a sua utilidade, o Almirante mor dos mares explicou "ter submarinos é caro, muito caro, mas muito mais caro seria não os ter, em especial para as gerações futuras."
Confesso não conseguir atingir o raciocínio talvez por não pertencer às gerações futuras e vindouras como ouvi no discurso há dias...

Há quem queira manter as quintinhas, os privilégios, há quem queira manter a sua colecção de soldadinhos e artefactos bélicos.
Finalmente Portugal e os portugueses já podem morrer descansados, já temos o nosso submarino, outro vem a caminho!

Alguém me belisque, me acorde deste pesadelo!

O Tridente entrou hoje no Tejo cerca das 10 horas. Uma multidão de meia dúzia bate palminhas com as nádegas!

sexta-feira, julho 23

meditando!

Arredado do comum dos mortais, anda o hábito de reflectir ou melhor, meditar.
Podemos não ter tempo para fazer exercício, ir ao cinema, ler um livro, e outras mais actividades, mas meditar é certamente uma ausência que não pode ser justificada com falta de tempo. Creio que já não faz parte das prioridades. A chamada sociedade do desenvolvimento alicia com todos os os óbvios de momento, cria (inventa) necessidades para depois as fornecer como inquestionáveis, toda a gama produtos duvidosos e mesmo supérfluos.
E é aqui que muitas vezes nos deixamos levar. Não sei como mas Portugal tem de caminhar para uma vivência de maior liberdade de escolha, uma vivência onde sejamos capazes de escolher. Escolher, essa é a questão. Somos levados a pensar que escolhemos. Mas não, somos conduzidos de formas sublimadas à escolha desejada não por nós, mas ao encontro de interesses, normalmente do capital, do consumismo.
Urge que paremos por momentos para reflectir, meditar.
A diferença residirá na nossa capacidade de muitas vezes afastarmos o óbvio só porque nos dizem, porque é moda. A diferença residirá quando por momentos nos questionarmos! Quem somos, como somos, o que queremos ser. SER, um arcaísmo que temos de ressuscitar dos depósitos de quem tem medo do Homem.
Nas nossas casas, no ciclo restrito de amigos, no bairro, na aldeia, deslumbremo-nos e identifiquemo-nos de novo.
Mesmo ao fim do dia, mesmo ao fechar dos olhos, reflictamos, meditemos! Como posso Ser? (diferente, autónomo, EU)

quarta-feira, julho 14

Velhos tempos, tempos modernos...

Pai, Mãe, preciso falar-vos. O tom solene surpreendeu-os. Acho que já tenho idade e "necessidade" de uma mesada ou semanada.Tinha dezassete anos,estava já no sexto ano, décimo primeiro como dizem agora.
Entreolharam-se e perscrutei naquela momento uma certa anuência. Não me disseram de imediato que sim mas convidaram-me a esperar pelo fim do mês. Chegado, o meu pai convidou-me a acompanhá-lo ao acto de recebimento do salário. Assinava uma folha e pagavam-lhe ao balcão em dinheiro.A minha mãe também recebera por esses dias.
Em assembleia senti-me importante ao sentar-me à mesa da sala com eles. Um envelope da minha mãe, um outro com o dinheiro do meu pai! Tanto, pensava ao colocá-lo misturado em cima da mesa...
Vai buscar um papel e lápis, ajuda-nos aqui. Fui, e comecei a anotar. Renda, água, luz, telefone,mercearia, etc, etc.
Mas olhem lá, estas contas já passaram a quantidade de dinheiro que está em cima da mesa!
Pois, vais ao Sr. Pereira, levas o role e diz que os pais pedem para ficar cem escudos por pagar para o mês que vem. Fui e vi-o fazer as operações para que o mês seguinte começasse logo à partida com cem escudos. No role pequeno tipo caderneta que transportávamos sempre que adquiríamos algo e num livro grosso, estreito com múltiplas folhas encabeçadas por nomes, um deles o do meu pai.
Ao regressar a casa, não me lembro se continuamos à mesa. Sei é que nunca mais falei em mesada ou semanada.Passei a estar imensamente feliz com o dinheirito que os meus familiares me davam ou eventualmente uns tostões que dos meus pais em momento de menos aperto ganhava.
Continuei a estudar latim à mesa do café com o meu amigo Martins. Uns dias bebia a "chinesa" outros bebia eu. O importante era fazer uma despesa que nos permitisse ocupar a mesa...
Aprendi a gerir o que tinha. O que não meu, não existia.
Os meus pais não eram detentores de curso algum!
E que lição recebi, que sabedoria tinham eles.
Na qualidade de pai procurei passar a mensagem. Estou satisfeito, entenderam, assumiram-na, os meus filhos.

quarta-feira, junho 23

Um dia será!

Temos vindo a perder ao longo dos últimos anos a nossa capacidade objectiva de indignação quer por desleixo, distracções, aliciamentos efémeros, quer por subtis conduções sublimadas em pseudo inofensivas atitudes dos senhores do Poder!

Cada vez mais eleitos por minorias, assumem as rédeas como se detentores da Verdade, sabedores de todo o Conhecimento.

Se os ventos correm de feição, são os melhores, os maiores. Se os ventos contrários, dizem-se vítimas de conspirações, incompreendidos.

Pois é. Isto de andar ao sabor dos ventos dá nisto.

O que falta?

COMPETÊNCIA!

Em cada lar a gestão é dos adultos, de quem tem a responsabilidade de gerir e sem grandes dificuldades se accionam mecanismos de cobrança ou mesmo de prisão consoante a dimensão dos actos tantas vezes irresponsáveis. Não tem cabimento o lamento daqueles que se excedem ou por má gestão chegam a situações de insolvência.

E o País?

Há responsáveis por má gestão, gastos megalómanos, endividamentos excessivos? Parece que não!

As SCUTS estão nas primeiras páginas. Em minha opinião, e ao exemplo do que se faz em muitos países, quem usa, paga! E há o sistema Suíço que de todo não me parece injusto. Na Bélgica, país atravessado por Alemães, Holandeses, Franceses, como não se paga portagens, queixam-se que suportam o desgaste das vias pelos estrangeiros!!!Há que ver se não há mesmo alternativas ou até se se deixou degradar as alternativas para que tudo fluísse pelas novas vias.

Fala-se de roubo.

As SCUTS estão localizadas em determinadas zonas do País.

E que dizer do roubo permanente que somos alvo quando usamos uma Auto-estrada, pagamos portagens na íntegra e temos obras limitadoras ao longo da via?

Não vejo businões nem autarcas envolvidos em consonância.

Porquê?

Porque somos assim, deixamo-nos assim, trabalham-nos para que sejamos assim. E estão a consegui-lo!

Não esqueçamos nunca, PENSAR GLOBAL, AGIR LOCAL!

Será por aí que marcaremos a diferença, será por aí que os fios que nos colocam feitos marionetas se quebrarão!

Fios ECONÓMICOS, fios de MEDO, fios de SEDUÇÂO, fios de VAIDADE, fios de MALDADE, muitos, muitos fios.

Será que alguém tem dúvida que está ligado? Eu não!


PS. Tenho consciência que ainda não rebentei todo o fio. Mas que estão a quebrar, isso estão. Uns já foram, outros irão!



terça-feira, junho 22

Registo

Creio que tinha cerca de um ano quando o meu pai emigrou. À época a Venezuela, Curaçau e África do Sul, na Madeira, eram os destinos mais correntes.
A minha mãe, aparentemente uma mulher frágil, tomou a família aos ombros. Quatro filhos! Era professora e até à minha instrução primária lembro-me de vários ambientes, paisagens, pessoas. Creio que esteve um ano em cada escola! As escolas eram por vezes em sítios recônditos, junto a povoações por detrás do sol posto. A iliteracia era enorme. Os campos absorviam a mão de obra das crianças em idade escolar, coisa naturalmente assumida. Mas quem aprendia a ler e escrever, aprendia. Havia exames e aferições de conhecimento para atribuição de diplomas escolares, expoente máximo em cerimónias inesquecíveis de viagens às sedes de concelho para prestação de provas, deslocação em táxis apelidados de "abelhas" batas impecavelmente brancas, caneta de tinta permanente, lápis borracha e mata borrão!
Durante anos habituei-me. Novas limitações, os quartos de recurso, as casas de banho ou à inexistência delas...
Anos e anos, o meu espaço infantil estendia-se entre as sala de aulas onde a minha mãe ensinava, os terreiros e os caminhos, as casas das vizinhas onde saciava a minha gula em bolos e petiscos que hoje não encontro sabores.
Nas salas de aula, por onde a minha mãe andasse, uma foto, ou duas, obrigatoriamente.
Na minha santa ingenuidade convenci-me que só alguém importante para a minha mãe a acompanhava em todos os sítios por onde andasse. E esse seria o meu pai...
O fardado com faixa atravessada ao peito não era, pois ele não era tropa. Tinha que ser o outro, o civil...
Nunca manifestei à minha mãe nem a ninguém essa minha dedução.
Passados anos, rimo-nos a bom rir. Salazar não era em definitivo o meu pai!

sexta-feira, junho 18

SARAMAGO!


Porque compreendo a morte, porque sou sensível, estou saudavelmente triste!


sábado, junho 12

Faria, Afonso Faria

Estou mesmo convencido que sou especial, ou melhor a mim acontecem-me coisas especiais. Talvez porque ainda esteja convencido que há esperança no Homem.
Há dias perdi a carteira com toda a documentação. Perdi, não. Deixei-a displicentemente em cima do tejadilho do carro e arranquei. Confiei no carro, não devia. Numa curva, deixou-a cair!
Quando me apercebi, analisado a facto, mantive-me calmo, sou o Afonso, não é? Liguei o telemóvel e esperei. Ainda não haviam passados 20 minutos, tocou! Sim sou eu, sim, perdi-a. Onde posso encontrá-lo? Ok, meia hora depois tinha em minha posse a minha carteira. Um aperto de mão selou o meu agradecimento, um sorriso franco a recepção.
Não aprendi. Ontem, ao chegar a casa dei por falta do velho telemóvel. Detesto-o quando está perto de mim, senti a falta na sua ausência. Algures, deixei-o em algum lugar pensei...
Um amigo telefonou para a minha mulher pois um outro amigo telefonou-lhe que a mulher tinha recebido uma chamada do meu móbil mas que não tinha sido eu... Estranho? Não, talvez seja este episódio o que deveriam apelidar das verdadeira redes sociais.Então passei a telefonar para o meu telemóvel sabendo que não seria eu a atender mas esperando que alguém o atendesse. E assim foi. Onde, questionei. Ah, sim naquela curva...Mais uma vez o estúpido do carro não mantivera o que eu lhe tinha confiado. Estúpido, estúpido,duas vezes é demais, não merece confiança, não posso esquecer!
Voltando ao móbil, segundo o relato, esgueirou-se entre dois pneus para não passar à história. E conseguiu!
Mais uma vez um forte aperto de mão, em jeito de agradecimento. Sabe, se fosse eu gostava que mo devolvessem, disse-me. E sorriu!
Ah, tanto de uma como da outra vez a idade rondava os trinta. Ainda há esperança, afirmo!
Mantenhamo-nos atentos, demos uma oportunidade...

sábado, maio 15

remar...


E vem a noite. Escura, ainda fria.

No negro projecto meus pensamentos,
faz-se luz.

Jurei a mim mesmo ver, ver para além.
E consigo.

Desligo os ruídos do dia. Desligo, não os apago.
Tenho esse poder, exerço-o.

Quem? O quê?
Selecciono.

Alcanço a Paz!

Tenho que passar palavra,
dar testemunho,

É POSSÌVEL!


terça-feira, maio 11

album (parte onze)

Aproximava-se o mês de férias. Passagem marcada, as noites tornavam-se longas os dias intermináveis.

Um ano hostil, um ano intensamente vivido que nem de completa adaptação conseguida. Perdera-se o estatuto de “periquito” mas não tempo suficiente para “velhinho” . Dizia-se a propósito que só no fim de uma comissão estávamos prontos para ela...

Este tempo de meia comissão era perigoso. Iniciava-se o abrandamento da vigilância, por vezes a cautela, os procedimentos motivados pelo impacto do desconhecido. Cometiam-se exageros como se o tempo decorrido proporcionasse uma maior defesa, a chamada experiência, uma potencial loucura em gestação...

Abriam-se as defesas, o início da saturação.

Alguns acidentes poderiam ser evitados...

De novo sentado no paiol das munições, uma vista ampla a toda a negritude, uma vastidão.

Preparado para fazer fogo, a equipa e o obus. Falava-se baixo, ouvia-se com os olhos...

Recordava os meus benditos primeiros sinais de paludismo, precisamente ali, naquela posição.

Olhava os buracos nas flechas do obus e sentia-me protegido pela sorte ou outra qualquer entidade.

Há sinais? Se calhar há. Não fora sentir-me indisposto subitamente e sair do meu posto e hoje o passado não seria narrado na primeira pessoa. E ali estavam a testemunhar o episódio, os buracos, os estilhaços no interior. Se é possível entender, se é possível uma relação de entre uma máquina fria e estúpida, creio que fiquei ligado àqueles “ferimentos” no aço. Não imaginaria que por diversas vezes transitaria de aquartelamento levando sempre o meu “companheiro”, transportando com ele a lembrança da “sorte” que um dia tive!

Dessa vez a minha equipa ainda ficara coesa, ainda era a mesma. As pessoas e a máquina!

Há muito que a minha “coragem” me obrigara a dormir no abrigo, mesmo ali ao lado do obus. Preferia a ter que percorrer a tabanca, quatro da manhã, negro negro, Walter na mão, bala na câmara, hoje nem sei bem para quê...

Foi nessa altura que dei atenção a alguém que me transmitiu, mais vale um cobarde vivo que um herói morto!!!

Depois, deixar a cama à pressa e correr quase debaixo de fogo, uma só vez me chegara. A mim e ao Conceição, meu companheiro de armas. Eu ainda enfiei as botas, calções, tronco nu. Ele, depois de um festim muito barulhento e medonho, contemplava em dor os pés em sangue, a adrenalina calçara-lhe palmilhas invisíveis, anestesiara-lhe cada vidro cravado, cada esfoladela. A guerra tem disso mesmo ao mais sensato e equilibrado.

Depois dessa experiência resolvi abdicar do post jantar batendo umas cartas, um convívio esporádico. A minha coragem convidava-me para a segurança se isso se pode chamar àqueles abrigos feitos de troncos de palmeira e terra, chapas de zinco. Mas sempre era melhor que a pobre chapa de zinco como tecto!

domingo, maio 2

os meus recantos...cores e aromas!




tropeço na cor, no contraste!



meus caminhos, recantos...


...em mudança

olhar e ver...






de surpresa em surpresa








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