Um último olhar, o derradeiro do dia!
Uma brisa ténue embala um falcão silenciosamente vigilante...
Apetece-me ficar, nesta, a minha Paz dilui-se ternamente.
Um último olhar, o derradeiro do dia!
Uma brisa ténue embala um falcão silenciosamente vigilante...
Apetece-me ficar, nesta, a minha Paz dilui-se ternamente.

onível é o meu lema actual.E aconteceu, é noticiado por tudo quanto é órgão de comunicação. Haiti.
Terrível, inimaginável, grotesco, cruel!
Penso que a comunicação social para informar não tem necessidade de se banquetear com todas aquelas imagens de dor, de horror, desgraças alheias.
Perde-se a noção do bom senso em detrimento da conquista de audiências, em última instância de aquisição de lucros, o fio condutor da dita sociedade moderna.
E que aprende o Mundo com estes acontecimentos?
Claro que as ajudas internacionais são imprescindíveis neste momentos, claro que não há coração que não se comova perante estas calamidades.
Mas há que criar a disponibilidade interior, há que sentir que somos estes mesmos, mesmo que em outras circunstâncias de tranquilidade e harmonia.
Se o conseguirmos, no nosso dia a dia, e não precisamos de outros terramotos para o demonstrar, o mundo será melhor, não sentiremos este gosto amargo quando postos perante estes factos, seremos mais Pessoas, um conceito muito arredado do mundo actual!!!
Mudemos, ousemos criar, reinventemo-nos mesmo contra as correntes...
Será certamente 90% como o entendermos,Estávamos em Janeiro, o ano de 73 começara.
O Natal passara-se sem afectos, cruel. A memória invadia-me em “flash”, os rostos, os sorrisos, os momentos distantes. Uma revolta imensa tomava posse da mente, do corpo. O álcool, sempre o álcool, a muleta! Nem embriagado nem sóbrio. Meio estado, perigosamente consciente.
As noites eram sempre iguais. Prevenção, mosquitos, horas à espera que algo acontecesse ou melhor, desejo que não acontecesse.
Ouvia-se o silêncio, sentia-se a noite.
Entre um bocejar e outro, uma troca de palavras em fula, algo para mim imperceptível. Desistira de perceber. O crioulo já me dava demasiado trabalho...
Um rádio ao ombro de um dos meus homens, emitia música africana...
De repente um grito, e outro e outro, pulos de contentamento como se um golo da equipa preferida fosse noticiado...
Despertei do meu estado ausente, questionei. Amílcar Cabral morreu, foi assassinado! E saltavam e riam, davam largas ao seu contentamento.Senti frio. Desperto, não consegui evitar o berro. CALEM-SE!
Na sua simplicidade a conclusão fora imediata. Se morrera, a guerra acabara!
Por momentos, elevando a voz, esgrimi os meus argumentos. Vocês são parvos? Não vêem que a guerra não é feita por um só homem? Como podem sentir-se felizes pela morte de um líder que acredita na libertação do povo que vocês fazem parte? Calaram-se mas não fiquei convencido de terem compreendido, aliás penso que não me perceberam.
Uma súbita vontade de vomitar, o desejo de mais um golo de qualquer coisa, desde que me ajudasse a sair dali!
E foi mais um, o segundo dia.
De tesoura em mão, percorrendo a encosta, as vinhas desnudando-se lentamente, seduzem-me com os cachos negros, doces, sumarentos!
Que maravilha de uvas, ouço o meu companheiro. São, doces, prenúncio de um bom néctar, bebida do deus Baco!
Dez, percorrendo a fila acima, gente boa, nem da proximidade. São amigos, explicou-me o Manuel, o dono da vinha. Pessoas como eu, donas do seu tempo. E aplicam-no com alegria na partilha, de uma forma sã. “Pró bono”? Claro, de outra forma de onde viria tanta alegria , tanta entrega? A amizade tem disso. Dá-se, goza-se, partilha-se.
Pré histórico diriam os ilustres defensores do empreendedorismo, os ilustres iluminados destituídos de humanidade! Que seja, nunca saberão o que é a partilha de um sorriso, a gargalhada fluida de uma qualquer piada em trocadilho simples!
Foi uma experiência, mais uma na minha caminhada de conhecimento, entre as pessoas, a biblioteca de minha eleição. Gente simples, que privilégio ser um entre!
O vento soprava breve, o sol insinuante e intenso galopava como a manhã. Gostoso, quente, não agressivo.
Quatro horas intensas de trabalho, um merecido almoço. Mesa corrida, bacalhau com grão, batatas, salada e um bom tinto. Do ano passado, outros esforços também gratamente compensadores.
Riu-se, evocaram-se conhecimentos, experiências, um pouco de identidades. Variadas, todas Enormes!
Gostei! As mãos negras caminham à busca de um sabão e limão. Purificam-se os dedos, as mãos, a alma!
Prometi voltar. Aceitaram-me, sinto-me bem.
por JOSÉ MANUEL OLIVEIRAHoje![]()
Perigo anunciado. Praia Maria Luísa, em Albufeira, Algarve, está classificada como insegura há cerca de ano e meio, mas uma vistoria realizada na passada semana à zona das falésias nada detectou. Ontem de manhã aconteceu o pior: parte da falésia do areal concessionado ruiu fazendo cinco mortos e três feridos. O primeiro-ministro esteve lá, mas não se sabe ainda a causa da derrocada

É indesmentível que Solnado marcou o bom humor português em cima dos palcos. Morreu!
Morreu como qualquer mortal, mesmo os que são queridos e famosos, morrem!
O humor de Solnado era diferente, era feito com talento, genuíno, a sua figura, terna.
A minha condição de ilhéu não me permitiu acompanhar o Zip-Zip. (na Madeira, na época não havia televisão).
Recordo a passagem de alguns artistas nos eventos festivos anuais promovidos pelo Nacional e Marítimo. Nos palcos desfilavam os nomes em cartaz na época, Calvário, Garcia, Mª José Valério, Tonicha, Francisco José e tantos outros do mundo da canção.
Depois, na época havia aqueles momentos especiais de humor com Zé Viana, Solnado, Badaró, Humberto Madeira, e até Max.
E o fenómeno na altura chamava-se Solnado, difundido pelas duas estações de Radio à época. Se difícil é o humor, imagens em palavras via vinil, só os melhores!
Muitos destes já faleceram!
O que me leva a escrever estas linhas é a percepção que poucos são os protagonistas da ribalta, seja artística, política ou mesmo religiosa que preparam as suas saídas, com dignidade.
Se no poder um eternizar de figuração e apego ao dito é bem patente, na área artística é confrangedor por vezes figuras maiores, perderem a noção que o tempo também passa e não só para os outros. Bom, na religião, tenho bem presente os últimos dias do pontificado de João Paulo II, a violência das imagens transmitidas...
Não pretendo que deixem de reivindicar o direito à vida mas simplesmente que aceitem o privilégio da idade. Com ela há a abordagem lúcida dos desafios, uma outra forma de estar.
Choca-me que alguns actores, cantores e outros também actores não se respeitem querendo ombrear com outros nas suas actividades, numa pura acção de alucinação nos holofotes do palco, na vida. E quando por algum motivo se verifica um interregno, a amargura e revolta jorra em manifesto quão ingratos são os portugueses...
Não aceitam, nunca saberão o que é viver como Pessoas que são, teimam arrastar as Pessoas que vestiram, as figuras que incarnaram ao longo dos anos!
Confrangedor!